quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Revolução Russa - 1917

      A Revolução Russa de 1917 representa um marco para o socialismo iniciado a partir da ascensão do Partido Bolchevique, resultando na criação da União da Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que durou até 1991.
      No início do século XX a Rússia era um país com economia essencialmente agrícola, cerca de 80% da sua economia estava concentrada no campo. Subjugados pelo Czar  Nicolau II (Imperador), os trabalhadores rurais pagavam altos impostos e viviam em situação de pobreza. O governo czarista era um governo absolutista, ou seja, Nicolau II comandava com poderes absolutos, não cedendo espaço para a participação popular (democracia), comandando inclusive a Igreja; motivo este de descontentamento geral da população.
Nicolau II (Czar Russo)

      Em 1890, o governo inicia um processo de modernização das indústrias, porém, usando capital estrangeiro

ANTECEDENTES:
        No final do século XIX os ideais socialistas chegam à Rússia. Em 1898 é fundado o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR).
       Em 1903 o Partido Operário Social- Democrata Russo se dividiu em dois grupos: Bolcheviques e Mencheviques.
- Bolcheviques: queriam derrubar o czarismo pela força, eram liderados por Lênin.
- Mencheviques: propunham a implantação do socialismo através de reformas moderadas.
     Em 1905 a Rússia se envolveu em uma guerra contra o Japão, este conflito desorganizou a economia piorando a situação dos operários e camponeses. A humilhação da derrota acirrou os ânimos contra o czar. No ano seguinte, os habitantes saíram em uma passeata a fim de entregar suas reivindicações ao Imperador, exigindo melhorias nas condições de vida e a instalação de um parlamento. O czar respondeu com um massacre promovido por suas tropas, episódio que ficaria conhecido como Domingo Sangrento, aumentando ainda mais a revolta do povo.
Domingo Sangrento

       A fim de sufocar o desconforto causado com o massacre do Domingo Sangrento, Nicolau II  promulgou uma Constituição e permitiu a convocação de eleições para a Duma (Parlamento),  neste momento surgem os Sovietes (responsáveis pela representação popular na Duma). A Rússia tornava-se assim uma monarquia constitucional, embora o czar concentrasse grande poder, em contraste com as limitações do Parlamento. Na realidade, o governo ganhou tempo e organizou as reações contra as agitações sociais.
Duma- Parlamento Russo
       Com todo esse panorama que não favorecia a população, Nicolau II decide colocar a Rússia na Primeira Guerra Mundial, como membro da Tríplice Entente, juntamente com Inglaterra e  França, contra a Alemanha e a Áustria-Hungria; as sucessivas derrotas, deixaram a Rússia militarmente aniquilada e economicamente desorganizada, o que foi a  gota d´água para que se iniciassem os protestos contra o poder do Czar.     
     Em 1917 ocorre a chamada REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO, que derrubou o Czar Nicolau II e buscava instaurar uma república liberal, formou-se um Governo Provisório, que passou para uma fase socialista, sob a chefia de Kerensky (Menchevique)..

Kerensky
     Sofrendo pressões dos sovietes, o governo concedeu anistia aos prisioneiros e exilados políticos. De volta à Rússia, os bolcheviques, liderados por Lênin e Trotsky, organizaram um congresso onde defendiam:“Paz, terra e pão” e “Todo o poder aos sovietes”. 
      Ainda no mesmo ano ocorre a  REVOLUÇÃO DE OUTUBRO,  caracterizada pela queda do governo provisório e instauração do regime socialista soviético, pelo partido bolchevique, liderado por Vladimir Lênin.
Vladimir Ilyich Ulyanov- Mais conhecido como Lênin

     Para evitar qualquer tentativa de restauração monárquica, o czar Nicolau II e sua família foram mortos em julho de 1918.

Principais medidas da Revolução de Outubro:
  • Confisco das terras do clero e da nobreza
  • Retirada da Rússia da Guerra
  • Reforma agrária
  • Estatização das empresas estrangeiras
  • Eleições para a escolha de juízes
  • Assinatura do Tratado de Brest-Litovsky com a Alemanha, onde cessava fogo e perdia territórios como a Polônia, Finlândia e Ucrânia. 
GUERRA CIVIL:
    Os quatro primeiros anos de governo bolchevique foram marcados por uma guerra civil que abalou profundamente a Rússia. O Exército Vermelho, criado por Leon Trotsky, derrotou o Exército Branco e garantiu a permanência dos Bolcheviques no poder. A revolução estava salva, mas a paralisação econômica era quase total.
     Em 1918 inicia-se um período chamado COMUNISMO DE GUERRA, caracterizado por medidas radicais como:
  • Separação Igreja X Estado
  • Nacionalização de bancos e transportes 
  • Retenção de toda produção agrícola pelo Estado
  • Fim da propriedade privada
    Em 1919 o Partido Operário Social Democrata Russo passa a se chamar PARTIDO COMUNISTA, em situação unipartidária ( partido único).
    Para restaurar a confiança no governo, foi criada em 1921 a NEP (Nova Política Econômica), que permitia a entrada de capital estrangeiro. A aplicação da NEP resultou no crescimento industrial e agrícola da Rússia.
       Com o fim da I Guerra, o governo Bolchevique teve que se preocupar com outras duas ameaças, são elas:
  •    Grupos antirrevolucionários composto por monarquistas, socialistas-revolucionários, mencheviques e anarquistas.
  • Ameaça externa das coligações formadas por países capitalistas que pretendiam combater o Estado soviético e restaurar o capitalismo na Rússia.
     Este conflito acaba apenas no final da década de 1920 com a vitória do Exército Vermelho  que combatia os contrarrevolucionários do exército branco (apoiado pelas coligações capitalistas).
   
NOVA POLÍTICA ECONÔMICA- NEP
    A NEP era baseada nas pequenas explorações agrícolas, industriais e comerciais à iniciativa privada, para fazer com que União Soviética saísse da crise em que se encontrava.
   As enormes dificuldades enfrentadas pela economia russa provocaram um recuo da parte do governo socialista. Lênin pensou, naquele momento crítico do país, ser necessário rever a política econômica adotada pelos revolucionários. Retomar a atividade comercial nas cidades e conceder maior autonomia aos camponeses para que produzissem foram as primeiras medidas adotadas pelo governo para superar a crise provocada pelo comunismo de guerra. A Rússia resgatou temporariamente algumas das características de um modelo econômico capitalista. A ideia de Lênin, ao propor essas medidas, era possibilitar a retomada do crescimento da economia russa e estabilizar o país para, em seguida, consolidar o sistema socialista. Nesse contexto, ficou célebre a frase de Lênin que sintetizou os objetivos da NEP: "É preciso voltar um passo atrás para depois avançar dois à frente." Em 1922 foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
 
Bandeira da União da Repúblicas Socialistas Soviéticas- URSS
Foice e martelo são símbolos que representam a classe trabalhadora - o trabalho agrícola e o trabalho industrial, respectivamente.


   Com a morte de Lênin em 1924,  Stalin( defensor do fortalecimento da revolução no próprio país) e Trotsky  (defensor  da extensão da revolução para outros países) disputam o poder. Stalin sai vitorioso e expulsa Trotsky e seus aliados. Em 1940 Trotsky é assassinado no México a mando de Stalin, que instaura uma ditadura na Rússia.
Stalin

Trotsky
DITADURA STALINISTA:
     Período de autoritarismo e repressão severa à oposição do governo stalinista. Por meio do planejamento econômico estatal (elaborado em planos quinquenais por técnicos do governo), o país passou por grandes transformações, tornando-se uma das maiores potências do século XX. Desenvolveu a indústria pesada, explorando reservas de carvão, ferro e petróleo, produzindo aço e ampliando a eletrificação. Mecanizou a agricultura e promoveu uma imensa coletivização do campo (extinção forçada da propriedade privada da terra).
     Por outro lado, no período de 1936 a 1938, ocorreram as chamadas depurações stalinistas; milhares de cidadãos foram presos, torturados, condenados ao trabalho em campos de concentração ou executados; estima-se que o terror político matou cerca de 500 mil pessoas, além de prender e torturar mais de 5 milhões de cidadãos.
Propaganda Stalinista- Stalin que significa "Homem de aço" em russo, como o defensor dos operários e camponeses.

FIM DA URSS:
       Ao fim da ditadura Stalinista o panorama russo era o seguinte:
  • Crise desencadeada pelo modelo econômico que impunha a população a viver sob a escassez de muitos bens de consumo;
  • Reformas mal conduzidas que levaram à deterioração da qualidade de vida da população;
  • Descontentamento popular com a oferta de produtos, principalmente alimentos;
  • A pobreza do povo;
  • As diferenças de qualidade de vida entre os cidadãos da URSS e os do bloco capitalista;
  • Concentração do poder;
  • Enfraquecimento do poder central;
  • O autoritarismo, com a censura à igreja e as mais diversas formas de manifestações populares;
  • Enfraquecimento da disciplina do Partido Comunista devido à divisão ideológica;
  • Guerra Fria e a pressão do Ocidente.
     Com a morte de Stalin, Nikita Khrushchov assume o poder, e cria uma política de coexistência pacífica com os Estados Unidos ( principal interessado na implantação do capitalismo na Rússia). A partir daí eventos como a Glasnot (liberação política) e a Perestroika ( reformulação econômica) deram margem para o ingresso do capitalismo no país. No dia 8 de dezembro de 1991 após acordo entre os líderes da Ucrânia, Bialowieza, Bielorrúsia e Rússia a URSS é dissolvida. Em seguida, foi formada a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), a Federação Russa.
Bandeira da Rússia

Líderes da União Soviética durante o regime socialista:
- Vladimir Lenin (8 de novembro de 1917 a 21 de janeiro de 1924) .
- Josef Stalin (3 de abril de 1922 a 5 de março de 1953).
- Nikita Khrushchov (7 de setembro de 1953 a 14 de outubro de 1964).
- Leonid Brejnev (14 de outubro de 1964 a 10 de novembro de 1982).
- Iúri Andopov (12 de novembro de 1982 a 9 de fevereiro de 1984).
- Konstantin Chernenko (13 de fevereiro de 1984 a 10 de março de 1985).
- Mikhail Gorbachev (11 de março de 1985 a 24 de agosto de 1991).





sexta-feira, 19 de maio de 2017

Primeira Guerra Mundial 1914-1918

  A Primeira Guerra Mundial acontece no contexto de Imperialismo, onde as potências europeias do século XX disputavam entre si, a hegemonia econômica. Conhecida como a "Grande Guerra" teve embates de proporções catastróficas.
       Embora não tivesse nenhum conflito declarado, as potências européias estavam desenvolvendo cada vez mais a sua indústria bélica (armas). Este período que antecede a Guerra  e que tem grande desenvolvimento industrial fica conhecido como PAZ ARMADA. A disputa por colônias, mercado consumidor e crescimento econômico acirravam os ânimos entre as grandes nações da Europa, de modo que bastava um acontecimento para que as mesmas fizessem uso de todo o armamento produzido.
Paz armada


ANTECEDENTES:
      Em meados do século XX a Europa vivia um período conhecido como Belle Époque, período este de grandes avanços científicos e tecnológicos,  é marcado pelo grande desenvolvimento dos países europeus e de sua economia.

Belle Époque

       Em 1870  a  Alemanha estava unificando seu território (anexação da região até então conhecida como Prússia) , período este em que estava em guerra contra a França, na Guerra Franco-Prussiana. Ao vencer a França, a Alemanha adquire o domínio da região da Alsácia- Lorena  (dominada pela França), e riquíssima em minério de ferro (matéria prima essencial no desenvolvimento da indústria), o que gerou na França um sentimento de revanchismo por ter perdido o domínio de tal região.
      Após a unificação alemã, Otto Von Bismarck,  líder da unificação alemã, estabelece alianças militares, comerciais e financeiras com a Itália e o Império Austro-Húngaro, formando assim a  Tríplice Aliança.
      Em contrapartida, a França  começa a firmar acordos com o Império Russo semelhantes aos estabelecidos na Tríplice Aliança, no intuito de se resguardar contra os avanços alemães. A Inglaterra por sua vez, temia perder seu status de maior país imperialista e maior potência europeia com o progresso alemão,e se alia à França e Rússia, formando assim a Tríplice Entente.

 
Grupos envolvidos no conflito

      A tensão entre as duas tríplices era crescente, sobretudo porque ambas almejavam dominar a região da Península balcânica. O Império Austro-Húngaro se aproveitou da fragilidade do Império Turco- Otomano (que dominava os Bálcãs ) para estabelecer, com o apoio alemão a dominação da região; utilizando um discurso nacionalista que ficou conhecido como PANGERMANISMO. Além disso, a Alemanha tinha interesse na pois pretendia construir uma ferrovia que ligasse Berlim à Bagdá (atual Iraque) passando pela península balcânica.
       Já o Império Russo usou da ideologia conhecida como PAN-ESLAVISMO para apoiar a criação do estado da Grande Sérvia na região dos Bálcãs para garantir sua influência política e econômica na região.

ESTOPIM DA GUERRA:
      O estopim para iniciar a Primeira Guerra veio em 28 de junho de 1914, com o assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando e sua esposa, em Sarajevo, capital da Bósnia. Sua visita tinha por objetivo discutir sobre a criação de uma monarquia tríplice nos Bálcãs governada por húngaros, austríacos e eslavos.
    O assassino era um jovem que pertencia a um grupo Sérvio (Mão Negra) contrário à intervenção da Áustria-Hungria na região dos Bálcãs. A culpa do atentado acaba caindo sobre o governo sérvio. O império Austro-húngaro declarou guerra à Sérvia em 28 de julho de 1914
Francisco Ferdinando e sua esposa Sofia antes do atentado em que foram assassinados


     Em pouco tempo praticamente toda a Europa estava envolvida no conflito. De um lado estavam os países da Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro) e, do outro, a Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia). Apesar de ser um conflito essencialmente europeu, a guerra envolveu os Estados Unidos e outros países,  as colônias das potências européias também foram campos de batalha.

FASES DA GUERRA:

     A Primeira Guerra Mundial teve duas fases importantes, são elas: Guerra do Movimento, e Guerra das Trincheiras.
GUERRA DO MOVIMENTO: Estratégia utilizada pela Alemanha para liquidar rapidamente a França, caracterizada pela movimentação das tropas em território inimigo. Os franceses, porém, com a ajuda inglesa conseguiram contra-atacar e deter o avanço alemão na  Batalha do Marne. Como nenhum dos lados conseguiu vitórias decisivas nessa batalha, a guerra estagnou.

GUERRA DAS TRINCHEIRAS:  É caracterizada pela instalação das tropas em grandes valas abertas no solo, onde se enfrentavam fazendo uso de artilharia pesada. Nesta fase, os exércitos adversários buscavam firmar suas posições através do desgaste das tropas rivais, ao todo foram mais de 640 km de trincheiras .
         Esta fase do conflito contou com diversas mortes pois as condições de higiene dentro das trincheiras era deplorável, soldados tinham que conviver com ratos, cadáveres,lama, chuva,  falta de mantimentos e doenças de todos os tipos; este foi um período de grande desgaste das tropas.

Trincheira


    De início, a Itália se  recusou a participar do conflito por ser neutra. Contudo, em função das promessas territoriais que recebeu (principalmente da Inglaterra), a Itália entrou no conflito ao lado da Tríplice Entente. A justificativa da Itália era de que a Tríplice Aliança era um acordo de defesa enquanto que na ocasião foram os impérios germânicos os ofensores. Ou seja, a Itália troca de lado e fica contra a Alemanha.
   A Primeira Guerra permaneceu um conflito essencialmente europeu até 1917, neste ano países como Estados Unidos e Brasil declaram apoio à Entente e impedir o avanço alemão através do envio de tropas e medicamentos.
    Neste mesmo ano a eclode na Rússia a Revolução Russa o que a força a sair da guerra. Com isso, a Alemanha pôde então concentrar suas forças no combate às tropas francesas e inglesas, mas os países da Entente conseguiram reagir  e venceram as tropas alemãs na  Segunda Batalha do Marne em 1918, o passo seguinte seria invadir a Alemanha.


   No entanto, uma rebelião popular assolou a Alemanha, forçando o então imperador  Guilherme II a renunciar. Em novembro de 1918 , o novo governo proclama a República e assina a rendição, que finalmente põe fim à guerra.

ARMAMENTOS :
       A Primeira Guerra acontece no contexto da Segunda Revolução Industrial, com isso, surgem novos armamentos com maior poder de destruição. Dentre eles estão:
  •  O Avião que até então era usado apenas para localização dos inimigos e reconhecimento de territórios, sofre adaptações e passa a ser equipado com metralhadoras e bombas.
 
Vista aérea de território inimigo

  • O submarino ( invenção alemã) é criado com o intuito de abater os navios inimigos que levavam mantimentos à população civil
  • A metralhadora é inventada, e embora fosse pesada para ser carregada nos braços, demonstra ser uma arma muito eficaz nos combates. 
 
  • Os gases tóxicos são utilizados e mostram o caráter assombroso da guerra. O gás mostarda em especial foi amplamente utilizado, recebe este nome pois, ao inalar já era possível sentir ardência, destruía as vias respiratórias, causava asfixia e cegueira temporária, em contato com a pele causava o surgimento de bolhas e queimaduras, podendo até mesmo chegar à corrosão dos ossos e consequentemente à morte. Atualmente a utilização desse gás e do Gás de Cloro são proibidos.
 
Soldados alemães aproveitando a direção do vento para soltar gás mostarda




 
Soldados com cegueira temporária causada pelo gás mostarda

  •  O fuzil passa a ser utilizado  como arma padrão pelo exército norte- americano pois era uma arma de maior alcance e precisão
  •  O Tanque de guerra foi decisivo na vitória da Entente na Guerra, pois era um veículo blindado, dotado de armamentos que desequilibrou a guerras das trincheiras.  
     

 DESFECHO:

     Ao final da Primeira Guerra, pode-se constatar que o uso e desenvolvimento de novas armas contribui de forma gritante para a capacidade de matar e destruir, o conflito deixou aproximadamente 10 milhões de mortos e milhares de mutilados, órfãos e refugiados.
    Próximo do fim da Guerra, o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson propôs um acordo de paz  que ficou conhecido como os "14 pontos de Wilson", onde defendia que não houvesse um vencedor para a guerra, e o direito de cada povo escolher seu destino e etc. Porém, este acordo não foi aprovado, o que vigorou foi a paz imposta pelos vencedores, aplicada pelo TRATADO DE VERSALHES, no qual a Alemanha :
  • Não poderia ter um exército maior que 100 mil soldados.
  • Não poderia desenvolver e fabricar armamentos
  • Deveria devolver a região da Alsácia-Lorena à França
  • Perde o domínio de diversas minas de carvão e ferro.
  • É condenada a pagar indenizações milionárias aos países da Entente
    Com isso, o Eurocentrismo ( Os países europeus como os mais poderosos) tem considerável queda e o Estados Unidos surge então como maior potência econômica.
      Em 28 de abril de 1919 é criada a Liga das Nações, que seria responsável por arbitrar em conflitos internacionais e garantir a paz mundial. Atualmente esta função é da ONU (Organização das Nações Unidas).
     As imposições do Tratado de Versalhes foram responsáveis por alimentar um desejo de vingança e ódio da Alemanha em relação aos vencedores, esse tratado foi visto por muitos alemães como uma afronta, e foi responsável pela ascensão de discursos que seriam fortemente adotados pela Direita, dentre eles o Nazismo e o Fascismo e seria a principal motivação para a Segunda Guerra Mundial.
Tratado de Versalhes
AVANÇOS:
     Embora o cenário deixado pela Guerra seja de destruição, o desenvolvimento obtido nesse período trouxe grandes avanços para a sociedade de modo geral, a medicina por exemplo se beneficiou do desenvolvimento da cirurgia plástica, a psicologia pode aplicar as teorias do psicanalista Sigmund Freud.
    Como os homens foram para a guerra, as mulheres começam a ganhar espaço no mercado de trabalho e nas indústrias, o que pode ser encarado como um importante avanço nas causas feministas.
Mulheres trabalhando em fábrica de bombas
   As imposições do Tratado de Versalhes também acaba por modificar a geografia mundial, e ocasionam o surgimento de novos países.



    
 
Modificações do pós guerra

domingo, 5 de março de 2017

Imperialismo

             Imperialismo é o nome dado à dominação de países na África e Ásia pelas potências européias no decorrer do século XIX. Apesar de Imperialismo e Colonialismo terem características comuns, é importante ressaltar suas diferenças, são elas:
           COLONIALISMO:  A colônia depende politica e economicamente da metrópole, foi implantado no século XV e XVI maçiçamente na América.
            IMPERIALISMO: Se refere, em geral, ao controle e influência que é exercido tanto formal como informalmente, direta ou indiretamente; foi implantado principalmente na Ásia e África ( na América e Oceania também). Por ter características semelhantes ao colonialismo do século XV e XVI, o Imperialismo também é chamado de NEOCOLONIALISMO (Novo Colonialismo).
 
            A segunda fase da Revolução Industrial ocorrida ao longo do século XIX provocou o desenvolvimento do capitalismo e a aceleração industrial, a descoberta de novas tecnologias, comunicações e meios de transporte, fomentaram a busca por matéria prima e mercado consumidor fora da Europa, Estados Unidos e Japão.
            Em 1869, a abertura do Canal de Suez e a descoberta de diamantes na África chamou a atenção das potências européias para o continente, começa aí então a disputa pelo território. Fazendo uso de força militar ou de acordos, países como Grã Bretanha, França, Portugal, Bélgica, e Alemanha, iniciaram a partilha do continente africano.Além disso, essas potências buscavam:
  • Terras e mão de obra para a exploração mineral, e nas plantações de café, cana-de-açúcar, amendoim, cacau, e etc.         
  • Mercado consumidor dos produtos industrializados
  • Oportunidades de investimentos de seus capitais (verba excedente).
  • Ouro e diamante nas terras africanas.              
JUSTIFICATIVA:
        Como justificativa para a dominação imperialista sobre outros povos, as potências européias desenvolveram um conjunto de teorias racistas; boa parte delas foram tiradas (erroneamente) das teorias evolucionistas de Charles Darwin, originando o chamado DARWINISMO SOCIAL.Segundo essas teorias os seres humanos eram divididos em raças e classes evolutivas, são elas:
 Caucasóides: O branco europeu. Segundo essas teorias esta seria a  raça humana mais desenvolvida e civilizada, e portanto, deveria civilizar e levar o progresso às demais "raças". Portanto, tinham uma missão civilizadora.
 Negróides: Negros.
Mongolóide: Asiáticos.


Caucasóide, Mongolóide e Negróide.
          É importante ressaltar que na atualidade o termo aceito para falar sobre as características humanas de um povo de determinada região é ETNIA, e que embora haja diferenças físicas entre esses povos, não há etnia mais desenvolvida e/ou menos desenvolvida.

Imperialismo na África

         Em 1880, 1/10 do território africano estava sob domínio europeu, em 1900 esse domínio já era de 9/10. Isso explica porque cada país do continente africano fala um ou mais idiomas, geralmente falam o idioma do colonizador e o idioma local ( é o caso da África do Sul que fala inglês e zulu).
        A ação imperialista não era nada vantajosa aos países dominados, o rei Leopoldo II da Bélgica por exemplo protagonizou um dos episódios mais sangrentos da História,envolvendo a morte de aproximadamente 10 milhões de africanos; Leopoldo ao explorar a mão de obra africana extraiu da região do Congo uma fortuna incalculável .Mulheres, crianças e idosos eram usados como reféns e acorrentados enquanto os homens iam para as florestas coletar borracha e marfim, caso não trouxessem a quantidade estipulada, eram mortos.
       A perda da soberania por parte dos africanos , a exploração econômica, e a imposição de hábitos europeus motivaram inúmeras revoltas, como por exemplo a  Rebelião de Ashanti 1890-1900.

Conferência de Berlim

      A disputa imperialista gerou tensões entre as potências européias e ameaçavam a paz na Europa, a fim de evitar uma guerra entre as mesmas, as potências se reuniram na CONFERÊNCIA DE BERLIM, na Alemanha em 28/02/1885, essa conferência pretendia estipular regras para dominação do continente africano, navegação e livre comércio pelas bacias do Rio Congo e Níger. Além disso, uma nação européia só teria direito a um território africano se comunicasse sua ocupação às demais nações e conseguisse manter a ordem  respeitando os direitos de comércio e trânsito. Nos anos seguintes e por meio de acordos, ocorreu então a partilha da África entre as potências européias.


Domínio europeu na África pelas potências européias após a Conferência de Berlim




PARTILHA DA ÁSIA
     Os britânicos aportaram na Índia pela primeira vez no século XVII, e aos poucos foram dominando o comércio local,  neste período, compravam tecidos indianos como a Musselina e os revendiam na Europa. Por volta de 1750 se apossaram da região e aumentaram os impostos sobre os produtos indianos, elevando seus preços; aos mesmo tempo, começaram a vender tecidos ingleses para os indianos, isso faliu as tecelagens indianas, e o país que antes era grande exportador de tecidos, passou a ser um importador dos tecidos ingleses.
     Os desmandos da dominação britânica, os abusos de autoridade e o empobrecimento do povo provocaram a REVOLTA DOS CIPAIOS - 1857,  esta revolta foi violentamente sufocada pelos ingleses e a Inglaterra aproveitou o episódio para dominar diretamente a região através de um vice-rei.; anos depois a rainha inglesa Vitória foi proclamada imperatriz da Índia.
     Os lucros obtidos pelos britânicos na Índia possibilitaram o desenvolvimento de um sistema ferroviário e de comunicações no país, além de milhões de libras que foram utilizadas para ampliar o império britânico
Revolta dos Cipaios

     Na China, o que despertava o intresse dos britânicos era a seda, o chá, porcelanas e etc, por ser uma economia autossuficiente, não tinha tanto interesse nos produtos ocidentais. Mas em 1820 os britânicos passam a obter lucros com a venda de ópio, esta droga era trazida das plantações inglesas na Índia, e embora a venda fosse proibida na China, os traficantes ingleses vendiam quantidades cada vez maiores. Os chineses por sua vez resolveram agir confiscando e jogando ao mar cerca de 1400 toneladas de ópio que estavam no porto de Cantão, como resposta a Inglaterra iniciou a GUERRA DO ÓPIO 1839-1842, que terminou com a vitória inglesa e a assinatura do Tratado de Nanquim -1842.este estabelecia:

  • Abertura de cinco portos da China para mercadores ingleses
  • Pagamento de uma indenização pela perda do ópio jogado ao mar e prejuízos da guerra.
  • Controle de Hong Kong pelos ingleses
  • Caso cometessem crime em território chinês, os britânicos só poderiam ser julgados pelas próprias leis britânicas.
         Além disso, o enfraquecimento do poder imperial chinês e a dominação estrangeira levaram à criação de sociedades secretas que buscavam restaurar a soberania do país. A principal foi a Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, criada em 1898 em Shandong. Esta, combatia principalmente missões religiosas e chineses convertidos.
         Em pouco tempo, ganhou a adesão de milhares de pessoas, em sua maioria camponeses, em 1900 os BOXERS (como eram chamados pelos ocidentais) marcharam sobre Pequim e Tianjin, matando estrangeiros, com o apoio do governo imperial e declarando guerra às nações ocidentais, porém, foi contida por tropas francesas, russas, japonesas e norte-americanas; este episódio ficou conhecido como LEVANTE DOS BOXERS.
Levante dos Boxers
 
     No Japão a abertura dos portos para as nações ocidentais ocorreu em 1853 quando o oficial norte-americano Matthew Perry apontou seus canhões para a baía de Tóquio, em seguida, Grã- Bretanha, Rússia e Holanda também conseguiram a abertura dos portos japoneses aos seus navios.
     Com isso, as opiniões japonesas se dividiram entre os que queriam a modernização européia no Japão, e os que acreditavam que caso isso ocorresse estariam se submetendo ao domínio europeu, resultando assim numa guerra civil que teve como vencedor a parcela favorável à modernização, enfraquecendo assim os senhores rurais e fortalecendo o poder do imperador. Em 1868 o Japão inicia sua "modernização" que ficou conhecida como ERA MEIJI.
Imperador Meiji

     Essa modernização implicava na absorção da tecnologia ocidental, porém sem abrir mão da cultura tradicional japonesa, neste período, ocorreu então a concentração de capital nas mãos de poucos grupos econômicos. A partir daí o Japão também passa adotar uma postura imperialista, entrando em guerra contra a China em 1894, vencendo, obrigando os chineses a pagarem uma indenização e entregar a ilha de Taiwan ao japoneses.
     A crescente rivalidade entre as potências européias, Estados Unidos e Japão ( pois cada país buscava conservar e ampliar seu império) neste período acabou por provocar a I Guerra Mundial em 1914.

A seguir: Música que resume o que foi o Imperialismo.
 


     
      
      
   

        

domingo, 9 de outubro de 2016

Colonização da América Espanhola



        As bases econômicas  do Absolutismo monárquico europeu, motivaram  potências como Espanha, Portugal e Inglaterra nos séculos XV,XVI e XVII, a colonizar territórios nas regiões da América e da África;  a expansão marítima teve papel fundamental no crescimento e desenvolvimento das metrópoles europeias do período, pois além de ouro e prata, a América fornecia mão de obra e especiarias, produtos altamente requisitados pelo Velho Mudo (Continente europeu).
        No Novo Mundo (América) o pontapé inicial foi dado por Cristóvão Colombo  que chega ao continente em 1492, alegando buscar uma rota alternativa para as Índias, e funda a colônia de Hispaniola (atualmente República Dominicana e Haiti); pouco tempo depois, outras colônias são fundadas em toda a extensão do território, como no Peru, Los Angeles, Buenos Aires,e Caribe. A partir daí as outras potências também empreendem expedições colonizadoras, é o caso dos Portugueses que chegam ao Brasil em 22 de abril de 1500.

Cristóvão Colombo - Navegador chega à América em 1492


       De início, as doenças trazidas pelos europeus foram responsáveis pela dizimação de boa parte dos povos nativos, outro fator importante foi o choque cultural de ambas as partes, os europeus, iniciam a posse do território sob o prisma religioso (geralmente católico) de que aqueles povos eram atrasados e pouco evoluídos, e portanto, necessitavam da "intervenção europeia" para progredir e ter a salvação de suas almas. (Isso é encarado como a imposição da religião católica aos nativos, uma vez que a cultura e a religião local foram ignoradas e sobrepostas pela catequização dos povos locais e conversão ao catolicismo). A tríade Fome, Cruz e Espada demonstram bem a forma adotada pelos espanhóis para dominação do território: Escravidão, Catequização e uso da força. 

A colonização ocorreu de forma sangrenta- Charge de Carlos Latuff


         É importante ressaltar que a dominação do continente não se deu de forma pacífica e amistosa, foi empreendido um embate sangrento contra os nativos que foram dizimados  e escravizados pelos espanhóis, estes impunham sua força através do uso de armas de fogo, coisa que os locais não conheciam, o temor diante da capacidade militar espanhola foi de vital importância para que os espanhóis conseguissem dominar as populações locais.  As regiões exploradas foram divididas em quatro grandes vice-reinados: Rio da Prata, Peru, Nova Granada e Nova Espanha, além dessas grandes regiões, havia outras quatro capitanias: Chile, Cuba, Guatemala e Venezuela; cada uma delas era comandada por um vice-rei e um capitão geral nomeados pela Coroa Espanhola.
     Os principais nomes da conquista espanhola na América são: Cristóvão Colombo, Hernán Cortés, e Francisco Pizarro, estes dois últimos responsáveis pelo embate com povos locais como Incas e Astecas, sobre os quais se apropriaram, dizimaram e escravizaram. 


Hernan Cortés- Conquistador do México



        O termo "Índio" é atribuído aos povos nativos da América pois Colombo ao chegar ao continente acreditava ter chegado à Ásia. Em 1517 os espanhóis tentam sem sucesso dominar a Península de Yucatán (México), em 1519 Hernán Cortés empreende uma ação militar na região adentrando a cidade asteca de Tenochtitlán. Os conquistadores espanhóis ficaram maravilhados com a beleza e organização da cidade quando a viram pela primeira vez, mas isso não impediu que Cortés conquistasse e destruísse a cidade em 1521, quando depois de uma aliança com os povos subjugados pelos astecas auxiliaram os espanhóis a conquistarem a capital Tenochtitlán. Cortés pôs fim ao reinado de Montezuma II, destruindo o Império Asteca.
         Foi também a partir de 1521 que a cidade foi reconstruída, sendo utilizadas nessa reconstrução as antigas pedras erguidas pelos astecas. Os canais deram lugar a largas avenidas e no sítio onde ficava o templo do deus sol e da guerra Huitzilopochtli foi erguida a Catedral do México, materializando, dessa forma, a violenta imposição social e cultural europeia sobre o Império Asteca.


Catedral Metropolitana da Cidade do México- Símbolo da dominação de Cortés sobre a cidade asteca de Tenochtítlan e seu imperador Montezuma.



       Na década de 1520 Pizarro parte para a América do Sul  em busca de ouro, e obtém sucesso na dominação da região onde fica atualmente o Peru, isso porque a mesma, que era dominada pelos Incas, passava por uma crise dinástica, já que  Huayna Capak (chefe inca local) e seu filho, sucessor ao trono faleceram após contrair varíola, deixando assim o trono vago para a disputa entre seus dois outros filhos Huáscar e Atahualpa.Os incas eram a elite dominante do Peru desde o início do século XIII e, graças a uma bem-sucedida política expansionista, chegaram a controlar terras numa extensão de 4.500 km, desde a Colômbia até o Chile e a Argentina atuais, submetendo em torno de 15 milhões de pessoas, portanto, dominar o império Inca, era dominar boa parte do território americano.


Francisco Pizarro- Conquistador do Peru









Pizarro tomando o império Inca




Administração Colonial
           Quando o espanhóis tomaram Cuzco ( capital do império Inca), surgiu a necessidade de regular e administrar a exploração das colônias, para isso criou-se a CASA DE CONTRATAÇÃO, tinha por finalidade impedir o contrabando e fiscalizar o pagamento de impostos colonial.
       Motivados pelo metalismo ( acúmulo de metais preciosos) os espanhóis extraíram a riqueza das regiões por onde passaram, é o caso da Argentina ( que significa Terra da Prata), e Potosí (Bolívia), no caso do Brasil, Portugal explorou até a escassez regiões como Minas Gerais. A partir daí a Coroa implantou um esquema de controle sobre os produtos retirados das colônias com destino à Espanha, os únicos portos comerciais encontravam-se em Veracruz (México), Porto Belo (Panamá) e Cartagena (Colômbia). Além disso, fez uso do pacto colonial ( as colônias só poderiam comercializar com suas respectivas metrópoles.
          À  Espanha, cabia intermediar as relações comerciais da colônia, e manufaturar as matérias-primas adquiridas na colônia. As colônias por sua vez, eram responsáveis por fornecer e abastecer o comércio espanhol com matérias-primas, e comprar os produtos comercializados pela metrópole, na maioria das vezes a preços altíssimos.

Organização Social
        Na sociedade colonial hispano-americana, a etnia determinava a posição social e a possibilidade de acesso a determinados postos e funções, isso significa que a mobilidade social era praticamente inexistente. Era composta da seguinte forma:

  • CHAPETONES: Espanhóis de nascença, eram os únicos que podiam participar do comércio externo, tinham terras e minas, e ocupavam os principais cargos da administração colonial.
  • CRIOLLOS: Descendentes de europeus nascidos na América, podiam possuir terras e minas, mas não podiam participar do comércio internacional.
  • MESTIÇOS: Filhos de espanhóis com nativos, eram livres, mas em geral pobres, exerciam funções no meio rural ( capataz e etc), não tinham acesso aos postos administrativos, nas cidades, atuavam como artesãos ou comerciantes locais.
  • ÍNDIOS: Principal mão de obra agrícola e mineira, também eram empregados em serviço domésticos e na construção de obras públicas.  
  • NEGROS: Representavam a mão de obra utilizada principalmente nas Antilhas, e tinham funções semelhantes às indígenas.
        De início a hierarquização social tinha por critério a pureza de sangue, a própria Coroa Espanhola incentivava os funcionários reais a se casarem antes de vir para a América, entretanto, os contínuos relacionamentos entre espanhóis e nativos que deu origem aos mestiços, dificultou a classificação por critério étnico. 



Sociedade colonial na América Espanhola


Trabalho Colonial 
    A atividade econômica mais rentável na colônia foi a mineração, com o esgotamento das jazidas de ouro, os colonizadores iniciam a exploração da prata. A mineração foi responsável pela instalação de núcleos urbanos em suas proximidades e a abertura de novas estradas .
     Na agricultura, de início era função das comunidades indígenas abastecer as colônias com alimentos; porém, conforme a população colonial foi crescendo a produção de alimentos das comunidades indígenas se tornou insuficiente, além disso, devido aos trabalhos atribuídos aos indígenas (principalmente na mineração) a mortalidade indígena fez com que a população nativa diminuísse ( dificuldade de adaptação ao ritmo de trabalho nas minas de ouro e prata, além de "jornadas extensas" de trabalho, acabavam por matar os indígenas).
     Os principais produtos agrícolas eram: Cacau, milho, algodão, tabaco, vários tipos de batata e posteriormente a cana de açúcar ( cultivada com sucesso nas ilhas do Caribe).
      A pecuária ocorreu em diversas regiões e com diversas funções, nas partes mais altas da Bolívia, Chile e Peru, as lãs extraídas de animais locais como a lhama e alpaca eram utilizadas na confecção de tecidos. A criação de  cavalos e gado era destinada a alimentação, tração e transporte; o couro bovino também era utilizado na fabricação de roupas e acessórios consumidos internamente e/ou exportados.
           
 ENCOMIENDA:
        Era a autorização que o colono recebia para explorar uma ou mais comunidades indígenas; esses ficavam responsáveis pela catequização, proteção e pagamento de tributos à Coroa.
 


REPARTIMIENTO:
     Cada comunidade indígena deveria fornecer uma quantidade de trabalhadores para executar atividades para a coroa espanhola. Esses indígenas eram encaminhados a um juiz repartidor, que disponibilizava os trabalhadores para os interessados.

 MITA:
     Cada comunidade indígena deveria oferecer homens adultos para o trabalho nas minas ou nas obras públicas durante o período de tempo variável ( podendo chegar a meses) , depois de passado esse tempo, o grupo retornava às suas comunidades, que deveriam enviar um novo grupo de homens.

HACIENDA:
      Grande latifúndio monocultor ( grande terreno onde plantava-se apenas um único produto, destinado a exportação), também conhecido com PLANTATION ( América do Norte), utilizava mão de obra escrava. 

       Vale lembrar que cada região, embora colonizada pela mesma potência (Espanha) utilizou a forma de trabalho e tributação que se adequasse aos "produtos" oferecidos pela região, todos utilizaram mão de obra escrava, seja indígena ou negra, e visavam única e exclusivamente o enriquecimento da metrópole, valendo-se do uso da força e da dominação dos povos locais para tanto.

Curiosidade:  A Colômbia, tem este nome justamente em homenagem à Cristovão Colombo, "Colonizador da América".

 
Países da América que falam espanhol