domingo, 5 de março de 2017

Imperialismo

             Imperialismo é o nome dado à dominação de países na África e Ásia pelas potências européias no decorrer do século XIX. Apesar de Imperialismo e Colonialismo terem características comuns, é importante ressaltar suas diferenças, são elas:
           COLONIALISMO:  A colônia depende politica e economicamente da metrópole, foi implantado no século XV e XVI maçiçamente na América.
            IMPERIALISMO: Se refere, em geral, ao controle e influência que é exercido tanto formal como informalmente, direta ou indiretamente; foi implantado principalmente na Ásia e África ( na América e Oceania também). Por ter características semelhantes ao colonialismo do século XV e XVI, o Imperialismo também é chamado de NEOCOLONIALISMO (Novo Colonialismo).
 
            A segunda fase da Revolução Industrial ocorrida ao longo do século XIX provocou o desenvolvimento do capitalismo e a aceleração industrial, a descoberta de novas tecnologias, comunicações e meios de transporte, fomentaram a busca por matéria prima e mercado consumidor fora da Europa, Estados Unidos e Japão.
            Em 1869, a abertura do Canal de Suez e a descoberta de diamantes na África chamou a atenção das potências européias para o continente, começa aí então a disputa pelo território. Fazendo uso de força militar ou de acordos, países como Grã Bretanha, França, Portugal, Bélgica, e Alemanha, iniciaram a partilha do continente africano.Além disso, essas potências buscavam:
  • Terras e mão de obra para a exploração mineral, e nas plantações de café, cana-de-açúcar, amendoim, cacau, e etc.         
  • Mercado consumidor dos produtos industrializados
  • Oportunidades de investimentos de seus capitais (verba excedente).
  • Ouro e diamante nas terras africanas.              
JUSTIFICATIVA:
        Como justificativa para a dominação imperialista sobre outros povos, as potências européias desenvolveram um conjunto de teorias racistas; boa parte delas foram tiradas (erroneamente) das teorias evolucionistas de Charles Darwin, originando o chamado DARWINISMO SOCIAL.Segundo essas teorias os seres humanos eram divididos em raças e classes evolutivas, são elas:
 Caucasóides: O branco europeu. Segundo essas teorias esta seria a  raça humana mais desenvolvida e civilizada, e portanto, deveria civilizar e levar o progresso às demais "raças". Portanto, tinham uma missão civilizadora.
 Negróides: Negros.
Mongolóide: Asiáticos.


Caucasóide, Mongolóide e Negróide.
          É importante ressaltar que na atualidade o termo aceito para falar sobre as características humanas de um povo de determinada região é ETNIA, e que embora haja diferenças físicas entre esses povos, não há etnia mais desenvolvida e/ou menos desenvolvida.

Imperialismo na África

         Em 1880, 1/10 do território africano estava sob domínio europeu, em 1900 esse domínio já era de 9/10. Isso explica porque cada país do continente africano fala um ou mais idiomas, geralmente falam o idioma do colonizador e o idioma local ( é o caso da África do Sul que fala inglês e zulu).
        A ação imperialista não era nada vantajosa aos países dominados, o rei Leopoldo II da Bélgica por exemplo protagonizou um dos episódios mais sangrentos da História,envolvendo a morte de aproximadamente 10 milhões de africanos; Leopoldo ao explorar a mão de obra africana extraiu da região do Congo uma fortuna incalculável .Mulheres, crianças e idosos eram usados como reféns e acorrentados enquanto os homens iam para as florestas coletar borracha e marfim, caso não trouxessem a quantidade estipulada, eram mortos.
       A perda da soberania por parte dos africanos , a exploração econômica, e a imposição de hábitos europeus motivaram inúmeras revoltas, como por exemplo a  Rebelião de Ashanti 1890-1900.

Conferência de Berlim

      A disputa imperialista gerou tensões entre as potências européias e ameaçavam a paz na Europa, a fim de evitar uma guerra entre as mesmas, as potências se reuniram na CONFERÊNCIA DE BERLIM, na Alemanha em 28/02/1885, essa conferência pretendia estipular regras para dominação do continente africano, navegação e livre comércio pelas bacias do Rio Congo e Níger. Além disso, uma nação européia só teria direito a um território africano se comunicasse sua ocupação às demais nações e conseguisse manter a ordem  respeitando os direitos de comércio e trânsito. Nos anos seguintes e por meio de acordos, ocorreu então a partilha da África entre as potências européias.


Domínio europeu na África pelas potências européias após a Conferência de Berlim




PARTILHA DA ÁSIA
     Os britânicos aportaram na Índia pela primeira vez no século XVII, e aos poucos foram dominando o comércio local,  neste período, compravam tecidos indianos como a Musselina e os revendiam na Europa. Por volta de 1750 se apossaram da região e aumentaram os impostos sobre os produtos indianos, elevando seus preços; aos mesmo tempo, começaram a vender tecidos ingleses para os indianos, isso faliu as tecelagens indianas, e o país que antes era grande exportador de tecidos, passou a ser um importador dos tecidos ingleses.
     Os desmandos da dominação britânica, os abusos de autoridade e o empobrecimento do povo provocaram a REVOLTA DOS CIPAIOS - 1857,  esta revolta foi violentamente sufocada pelos ingleses e a Inglaterra aproveitou o episódio para dominar diretamente a região através de um vice-rei.; anos depois a rainha inglesa Vitória foi proclamada imperatriz da Índia.
     Os lucros obtidos pelos britânicos na Índia possibilitaram o desenvolvimento de um sistema ferroviário e de comunicações no país, além de milhões de libras que foram utilizadas para ampliar o império britânico
Revolta dos Cipaios

     Na China, o que despertava o intresse dos britânicos era a seda, o chá, porcelanas e etc, por ser uma economia autossuficiente, não tinha tanto interesse nos produtos ocidentais. Mas em 1820 os britânicos passam a obter lucros com a venda de ópio, esta droga era trazida das plantações inglesas na Índia, e embora a venda fosse proibida na China, os traficantes ingleses vendiam quantidades cada vez maiores. Os chineses por sua vez resolveram agir confiscando e jogando ao mar cerca de 1400 toneladas de ópio que estavam no porto de Cantão, como resposta a Inglaterra iniciou a GUERRA DO ÓPIO 1839-1842, que terminou com a vitória inglesa e a assinatura do Tratado de Nanquim -1842.este estabelecia:

  • Abertura de cinco portos da China para mercadores ingleses
  • Pagamento de uma indenização pela perda do ópio jogado ao mar e prejuízos da guerra.
  • Controle de Hong Kong pelos ingleses
  • Caso cometessem crime em território chinês, os britânicos só poderiam ser julgados pelas próprias leis britânicas.
         Além disso, o enfraquecimento do poder imperial chinês e a dominação estrangeira levaram à criação de sociedades secretas que buscavam restaurar a soberania do país. A principal foi a Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, criada em 1898 em Shandong. Esta, combatia principalmente missões religiosas e chineses convertidos.
         Em pouco tempo, ganhou a adesão de milhares de pessoas, em sua maioria camponeses, em 1900 os BOXERS (como eram chamados pelos ocidentais) marcharam sobre Pequim e Tianjin, matando estrangeiros, com o apoio do governo imperial e declarando guerra às nações ocidentais, porém, foi contida por tropas francesas, russas, japonesas e norte-americanas; este episódio ficou conhecido como LEVANTE DOS BOXERS.
Levante dos Boxers
 
     No Japão a abertura dos portos para as nações ocidentais ocorreu em 1853 quando o oficial norte-americano Matthew Perry apontou seus canhões para a baía de Tóquio, em seguida, Grã- Bretanha, Rússia e Holanda também conseguiram a abertura dos portos japoneses aos seus navios.
     Com isso, as opiniões japonesas se dividiram entre os que queriam a modernização européia no Japão, e os que acreditavam que caso isso ocorresse estariam se submetendo ao domínio europeu, resultando assim numa guerra civil que teve como vencedor a parcela favorável à modernização, enfraquecendo assim os senhores rurais e fortalecendo o poder do imperador. Em 1868 o Japão inicia sua "modernização" que ficou conhecida como ERA MEIJI.
Imperador Meiji

     Essa modernização implicava na absorção da tecnologia ocidental, porém sem abrir mão da cultura tradicional japonesa, neste período, ocorreu então a concentração de capital nas mãos de poucos grupos econômicos. A partir daí o Japão também passa adotar uma postura imperialista, entrando em guerra contra a China em 1894, vencendo, obrigando os chineses a pagarem uma indenização e entregar a ilha de Taiwan ao japoneses.
     A crescente rivalidade entre as potências européias, Estados Unidos e Japão ( pois cada país buscava conservar e ampliar seu império) neste período acabou por provocar a I Guerra Mundial em 1914.

A seguir: Música que resume o que foi o Imperialismo.
 


     
      
      
   

        

domingo, 9 de outubro de 2016

Colonização da América Espanhola



        As bases econômicas  do Absolutismo monárquico europeu, motivaram  potências como Espanha, Portugal e Inglaterra nos séculos XV,XVI e XVII, a colonizar territórios nas regiões da América e da África;  a expansão marítima teve papel fundamental no crescimento e desenvolvimento das metrópoles europeias do período, pois além de ouro e prata, a América fornecia mão de obra e especiarias, produtos altamente requisitados pelo Velho Mudo (Continente europeu).
        No Novo Mundo (América) o pontapé inicial foi dado por Cristóvão Colombo  que chega ao continente em 1492, alegando buscar uma rota alternativa para as Índias, e funda a colônia de Hispaniola (atualmente República Dominicana e Haiti); pouco tempo depois, outras colônias são fundadas em toda a extensão do território, como no Peru, Los Angeles, Buenos Aires,e Caribe. A partir daí as outras potências também empreendem expedições colonizadoras, é o caso dos Portugueses que chegam ao Brasil em 22 de abril de 1500.

Cristóvão Colombo - Navegador chega à América em 1492


       De início, as doenças trazidas pelos europeus foram responsáveis pela dizimação de boa parte dos povos nativos, outro fator importante foi o choque cultural de ambas as partes, os europeus, iniciam a posse do território sob o prisma religioso (geralmente católico) de que aqueles povos eram atrasados e pouco evoluídos, e portanto, necessitavam da "intervenção europeia" para progredir e ter a salvação de suas almas. (Isso é encarado como a imposição da religião católica aos nativos, uma vez que a cultura e a religião local foram ignoradas e sobrepostas pela catequização dos povos locais e conversão ao catolicismo). A tríade Fome, Cruz e Espada demonstram bem a forma adotada pelos espanhóis para dominação do território: Escravidão, Catequização e uso da força. 

A colonização ocorreu de forma sangrenta- Charge de Carlos Latuff


         É importante ressaltar que a dominação do continente não se deu de forma pacífica e amistosa, foi empreendido um embate sangrento contra os nativos que foram dizimados  e escravizados pelos espanhóis, estes impunham sua força através do uso de armas de fogo, coisa que os locais não conheciam, o temor diante da capacidade militar espanhola foi de vital importância para que os espanhóis conseguissem dominar as populações locais.  As regiões exploradas foram divididas em quatro grandes vice-reinados: Rio da Prata, Peru, Nova Granada e Nova Espanha, além dessas grandes regiões, havia outras quatro capitanias: Chile, Cuba, Guatemala e Venezuela; cada uma delas era comandada por um vice-rei e um capitão geral nomeados pela Coroa Espanhola.
     Os principais nomes da conquista espanhola na América são: Cristóvão Colombo, Hernán Cortés, e Francisco Pizarro, estes dois últimos responsáveis pelo embate com povos locais como Incas e Astecas, sobre os quais se apropriaram, dizimaram e escravizaram. 


Hernan Cortés- Conquistador do México



        O termo "Índio" é atribuído aos povos nativos da América pois Colombo ao chegar ao continente acreditava ter chegado à Ásia. Em 1517 os espanhóis tentam sem sucesso dominar a Península de Yucatán (México), em 1519 Hernán Cortés empreende uma ação militar na região adentrando a cidade asteca de Tenochtitlán. Os conquistadores espanhóis ficaram maravilhados com a beleza e organização da cidade quando a viram pela primeira vez, mas isso não impediu que Cortés conquistasse e destruísse a cidade em 1521, quando depois de uma aliança com os povos subjugados pelos astecas auxiliaram os espanhóis a conquistarem a capital Tenochtitlán. Cortés pôs fim ao reinado de Montezuma II, destruindo o Império Asteca.
         Foi também a partir de 1521 que a cidade foi reconstruída, sendo utilizadas nessa reconstrução as antigas pedras erguidas pelos astecas. Os canais deram lugar a largas avenidas e no sítio onde ficava o templo do deus sol e da guerra Huitzilopochtli foi erguida a Catedral do México, materializando, dessa forma, a violenta imposição social e cultural europeia sobre o Império Asteca.


Catedral Metropolitana da Cidade do México- Símbolo da dominação de Cortés sobre a cidade asteca de Tenochtítlan e seu imperador Montezuma.



       Na década de 1520 Pizarro parte para a América do Sul  em busca de ouro, e obtém sucesso na dominação da região onde fica atualmente o Peru, isso porque a mesma, que era dominada pelos Incas, passava por uma crise dinástica, já que  Huayna Capak (chefe inca local) e seu filho, sucessor ao trono faleceram após contrair varíola, deixando assim o trono vago para a disputa entre seus dois outros filhos Huáscar e Atahualpa.Os incas eram a elite dominante do Peru desde o início do século XIII e, graças a uma bem-sucedida política expansionista, chegaram a controlar terras numa extensão de 4.500 km, desde a Colômbia até o Chile e a Argentina atuais, submetendo em torno de 15 milhões de pessoas, portanto, dominar o império Inca, era dominar boa parte do território americano.


Francisco Pizarro- Conquistador do Peru









Pizarro tomando o império Inca




Administração Colonial
           Quando o espanhóis tomaram Cuzco ( capital do império Inca), surgiu a necessidade de regular e administrar a exploração das colônias, para isso criou-se a CASA DE CONTRATAÇÃO, tinha por finalidade impedir o contrabando e fiscalizar o pagamento de impostos colonial.
       Motivados pelo metalismo ( acúmulo de metais preciosos) os espanhóis extraíram a riqueza das regiões por onde passaram, é o caso da Argentina ( que significa Terra da Prata), e Potosí (Bolívia), no caso do Brasil, Portugal explorou até a escassez regiões como Minas Gerais. A partir daí a Coroa implantou um esquema de controle sobre os produtos retirados das colônias com destino à Espanha, os únicos portos comerciais encontravam-se em Veracruz (México), Porto Belo (Panamá) e Cartagena (Colômbia). Além disso, fez uso do pacto colonial ( as colônias só poderiam comercializar com suas respectivas metrópoles.
          À  Espanha, cabia intermediar as relações comerciais da colônia, e manufaturar as matérias-primas adquiridas na colônia. As colônias por sua vez, eram responsáveis por fornecer e abastecer o comércio espanhol com matérias-primas, e comprar os produtos comercializados pela metrópole, na maioria das vezes a preços altíssimos.

Organização Social
        Na sociedade colonial hispano-americana, a etnia determinava a posição social e a possibilidade de acesso a determinados postos e funções, isso significa que a mobilidade social era praticamente inexistente. Era composta da seguinte forma:

  • CHAPETONES: Espanhóis de nascença, eram os únicos que podiam participar do comércio externo, tinham terras e minas, e ocupavam os principais cargos da administração colonial.
  • CRIOLLOS: Descendentes de europeus nascidos na América, podiam possuir terras e minas, mas não podiam participar do comércio internacional.
  • MESTIÇOS: Filhos de espanhóis com nativos, eram livres, mas em geral pobres, exerciam funções no meio rural ( capataz e etc), não tinham acesso aos postos administrativos, nas cidades, atuavam como artesãos ou comerciantes locais.
  • ÍNDIOS: Principal mão de obra agrícola e mineira, também eram empregados em serviço domésticos e na construção de obras públicas.  
  • NEGROS: Representavam a mão de obra utilizada principalmente nas Antilhas, e tinham funções semelhantes às indígenas.
        De início a hierarquização social tinha por critério a pureza de sangue, a própria Coroa Espanhola incentivava os funcionários reais a se casarem antes de vir para a América, entretanto, os contínuos relacionamentos entre espanhóis e nativos que deu origem aos mestiços, dificultou a classificação por critério étnico. 



Sociedade colonial na América Espanhola


Trabalho Colonial 
    A atividade econômica mais rentável na colônia foi a mineração, com o esgotamento das jazidas de ouro, os colonizadores iniciam a exploração da prata. A mineração foi responsável pela instalação de núcleos urbanos em suas proximidades e a abertura de novas estradas .
     Na agricultura, de início era função das comunidades indígenas abastecer as colônias com alimentos; porém, conforme a população colonial foi crescendo a produção de alimentos das comunidades indígenas se tornou insuficiente, além disso, devido aos trabalhos atribuídos aos indígenas (principalmente na mineração) a mortalidade indígena fez com que a população nativa diminuísse ( dificuldade de adaptação ao ritmo de trabalho nas minas de ouro e prata, além de "jornadas extensas" de trabalho, acabavam por matar os indígenas).
     Os principais produtos agrícolas eram: Cacau, milho, algodão, tabaco, vários tipos de batata e posteriormente a cana de açúcar ( cultivada com sucesso nas ilhas do Caribe).
      A pecuária ocorreu em diversas regiões e com diversas funções, nas partes mais altas da Bolívia, Chile e Peru, as lãs extraídas de animais locais como a lhama e alpaca eram utilizadas na confecção de tecidos. A criação de  cavalos e gado era destinada a alimentação, tração e transporte; o couro bovino também era utilizado na fabricação de roupas e acessórios consumidos internamente e/ou exportados.
           
 ENCOMIENDA:
        Era a autorização que o colono recebia para explorar uma ou mais comunidades indígenas; esses ficavam responsáveis pela catequização, proteção e pagamento de tributos à Coroa.
 


REPARTIMIENTO:
     Cada comunidade indígena deveria fornecer uma quantidade de trabalhadores para executar atividades para a coroa espanhola. Esses indígenas eram encaminhados a um juiz repartidor, que disponibilizava os trabalhadores para os interessados.

 MITA:
     Cada comunidade indígena deveria oferecer homens adultos para o trabalho nas minas ou nas obras públicas durante o período de tempo variável ( podendo chegar a meses) , depois de passado esse tempo, o grupo retornava às suas comunidades, que deveriam enviar um novo grupo de homens.

HACIENDA:
      Grande latifúndio monocultor ( grande terreno onde plantava-se apenas um único produto, destinado a exportação), também conhecido com PLANTATION ( América do Norte), utilizava mão de obra escrava. 

       Vale lembrar que cada região, embora colonizada pela mesma potência (Espanha) utilizou a forma de trabalho e tributação que se adequasse aos "produtos" oferecidos pela região, todos utilizaram mão de obra escrava, seja indígena ou negra, e visavam única e exclusivamente o enriquecimento da metrópole, valendo-se do uso da força e da dominação dos povos locais para tanto.

Curiosidade:  A Colômbia, tem este nome justamente em homenagem à Cristovão Colombo, "Colonizador da América".

 
Países da América que falam espanhol

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Absolutismo

           O Absolutismo foi o modo de governo que vigorou na Europa  do século XVI ao XVIII, também conhecido como Antigo Regime, surge a partir da crise no sistema feudal da Idade Média.
          O Absolutismo monárquico tem por característica principal a centralização do poder na figura do monarca (rei),  este exerce poder com a interferência mínima da Igreja e das outras classes sociais. Costuma-se dizer que no Absolutismo o rei comanda com poderes absolutos porque neste período ocorre uma diminuição do poder da Igreja, esta fica sujeita às ordens e domínio do rei, o mesmo podia criar leis e cobrar tributos mesmo sem a aprovação da sociedade, tinha também o poder militar, no qual decidia pela guerra e pela paz; além disso, os interesses burgueses ganham espaço, uma vez que a burguesia se firma enquanto classe social e apoia/financia a centralização monárquica.
Atribuições do monarca


Dentre os interesses burgueses destacam-se:
  •  Concessão de monopólios ( comércio exclusivo)
  • Fim de taxas e impostos cobrados aos comerciantes burgueses. 
  • Formação de uma rede comércio consolidada
          Durante este período ocorre também a formação dos Estados Nacionais Modernos, que em muito se assemelha a noção que temos hoje de país, a delimitação do território possibilitou para a burguesia ( que apoiava os interesses reais) a ampliação de sua rede de comércio a nível nacional, e por vezes até internacional.
          No âmbito econômico predominava o Mercantilismo, prática caracterizada pelo acúmulo de riquezas e intervenção do Estado na economia, acreditava-se que quanto mais riqueza um país concentrasse, mais prestigiado e poderoso este seria se comparado aos demais países. As principais características do Mercantilismo são:
  •  Metalismo : Acúmulo de metais preciosos  ( ouro e prata)
  • Balança comercial favorável ( Controle da entrada e saída de moedas do país, onde era necessário mais entrada de dinheiro que saída para caracterizar lucro).

Esquematização de Balança Comercial Favorável
  • Pacto colonial: As colônias são impedidas de comercializar com outros países além da metrópole.
  • Bulionismo: Fabricação de moedas. 
  • Protecionismo: Altas taxas alfandegárias sobre produtos importados ( para dificultar a compra de produtos externos). 
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Base econômica do Absolutismo e Mercantilismo
     
         Para se manter no poder, era preciso que o rei formasse alianças com as camadas mais influentes da sociedade, sendo elas: Clero, Nobreza e Burguesia. Cada um deles tinham interesses distintos que poderiam ser concretizados pelo rei, este por sua vez, precisava de apoio e incentivo financeiro para sustentar seu governo, e fazia isso concedendo privilégios como a isenção de impostos.Porém, não se tinha o conceito de cidadão e o povo era visto como súditos do rei, não havia nenhuma constituição que assegurasse os direitos e liberdades individuais.
         Durante o  Antigo Regime, não se tinha a ideia de cidadão, e portanto não havia uma Constituição que assegurasse os direitos individuais, todos eram vistos como súditos, o povo era quem mais sofria com as taxas e tributos impostos pelo monarca, o rei utilizava da força do exército real (mercenário) para reprimir e até mesmo matar aqueles que fossem contra seus ideais e leis.
         Além das mudanças, manteve-se o privilégio da hereditariedade e a manutenção da organização social, com o rei no topo, abaixo dos reis, os burgueses, na última instância, o restante da população. A Igreja, que antes possuía um status que pudesse ser equiparado ao da realeza, perdeu todo o prestígio. Houve também a formação das cortes, a criação de exércitos nacionais e o fortalecimento da economia mercantilista.


         Para dar sustentação aos ideais monárquicos, os teóricos do Absolutismo tiveram papel fundamental,  estas teorias eram utlizadas como justificativa para as decisões tomadas pelo monarca, outros por vezes desenvolveram críticas ao Antigo Regime, os principais teóricos são:
  •   Nicolau Maquiavel: Diplomata e historiador italiano, defendia que o monarca deveria utilizar de qualquer meio, lícito ou ilícito, para manter o controle do seu reino, pois “Os fins justificam os meios”. Sua principal obra é: O Príncipe. 

  •  Thomas Hobbes:  Afirmava que “O homem é o lobo do homem” , pois o ser humano, no estado natural, é cruel e vingativo, necessitando de um governo forte e centralizado para manter o seu controle.Sua principal obra é : Leviatã.




  •  Jacques Bossuet: Criador da Teoria do direito divino, afirmava que os reis recebiam o seu poder de Deus, e assim, desobedecer a autoridade real seria considerado um pecado mortal. Esta teoria foi muito utilizada pelo rei francês Luís XIV. Sua principal obra é: Política tirada da Sagrada Escritura.




  • Jean Bodin:  Afirmava que a soberania é um poder perpétuo e ilimitado, onde as únicas limitações do soberano eram a lei divina e a lei natural.Sua principal obra é : Seis livros da República 
      

Luís XIV 

           Considerado o símbolo do Absolutismo monárquico francês, governou de 1643 até 1715, a ele é atribuída a famosa frase " O Estado sou eu", onde entende-se que todo poder emana e reside no rei, ficou conhecido como Rei Sol, institui academias de artes, ciências, pintura e escultura, e constrói o monumental Palácio de Versalhes, dedicou especial atenção às artes e às letras, porém, mergulhou a França numa crise profunda após reorganizar o Exército e travar guerras contra Espanha, Holanda, Áustria e Luxemburgo.
Luis  XIV- Rei Sol

   Os regimes absolutistas foram muito questionados. O povo frequentemente passava fome, enquanto o rei esbanjava com grandes festas, roupas elegantes e muitas mulheres. Os altos impostos e a indiferença com que o povo era tratado provocou muitas insatisfações, originando movimentos revolucionários em toda a Europa.

Palácio de Versalhes

Para saber mais: 

Linha do tempo sobre Absolutismo: http://www.laifi.com/laifi.php?id_laifi=3327&idC=60683#