quarta-feira, 18 de julho de 2018

Egito Antigo


         Toda vez que falamos em Egito Antigo nos vêm à cabeça as pirâmides e os grandes faraós. Entretanto, poucos fazem ligação com a história e influência da região em que essa civilização se desenvolveu, o continente africano. Localizado no nordeste do continente africano, é uma região desértica, porém circundada ao sul pelo vale do Rio Nilo, conhecida com Crescente Fértil, o que deu origem a  uma das civilizações mais poderosas e influentes da Antiguidade.
 
A região recebe o nome de Crescente Fértil pois tem o formato de uma lua crescente

SOCIEDADE E POLÍTICA:

   A sociedade egípcia é formada a partir de junção de vários "clãs" chamados monos, estes eram organizados e independentes entre si. Por volta de 3500 a.C, estes monos se juntaram e formaram o que era chamado de reino do  Baixo Egito na região norte, e  reino do Alto Egito na parte sul do território. Em 3200 a.C, Menés unificou os dois reinos tornando-se o primeiro faraó, e dando início ao período conhecido como Antigo Império que durou até 2300 a.C. Na quarta dinastia deste império foram construídos pelos faraós, Quéops, Quéfren ( Que também construiu a esfinge) e Miquerinos as monumentais pirâmides da planície de Gizé.
     No Médio Império (2050-1750 a.C.)  que teve início com o príncipe de Tebas, Mentuhotep I, os hicsos (povo de origem asiática) invadiram o Egito e introduziram  o bronze, o cavalo e os carros de guerra, posteriormente pondo fim no Médio Império.
O Novo Império (1580-1080 a.C.) é caracterizado pelo militarismo e pelas conquistas, principalmente no reinado de Tutmés III. Porém, após no reinado de Ramsés II iniciou-se uma longa decadência e o Egito sofre invasões de vários povos, entre eles os assírios, e posteriormente Persas, Macedônios e  Romanos.
      Dividida de forma hierárquica, havia pouca mobilidade na sociedade egípcia, isto é, as pessoas não costumavam mudar de classe social. Era composta da seguinte forma:

Estrutura social no Egito Antigo
          Nesta sociedade, o faraó era visto e considerado um deus, portanto a forma de governo era a Monarquia Teocrática, isto é, o faraó governava, mas havia a crença em vários outros deuses.

ECONOMIA:

        A base da economia egípcia era a agricultura, sendo possível na região graças às cheias do Rio Nilo, e tendo como produtos principais o trigo, cevada, linho, algodão e papiro. A construção de diques, reservatórios e canais de irrigação, era tarefa do Estado,além disso, desenvolvia-se a pesca, a caça e a criação de animais. As cheias do Nilo começavam em julho e iam até novembro. Neste período, o rio transbordava e depositava o lodo e o limo que possibilitavam o aproveitamento agrícola da região. O Rio Nilo é tão importante para a civilização egípcia que os historiadores dizem: “O Egito é uma dádiva do Nilo”
      Os egípcios não utilizavam o dinheiro, por isso, trocavam suas mercadorias. Essa atividade atingiu seu apogeu no Novo Império, quando se intensificaram os contatos comerciais com a ilha de Creta, Palestina, Fenícia e Síria. O Estado egípcio era proprietário dos meios de produção, incluindo terras e instrumentos de trabalho; os camponeses recebiam terras para o cultivo, mas pagavam tributos para usá-las, a forma de pagamento era na forma de produtos ou de trabalho.
Agricultura egípcia

Rio Nilo


 
 RELIGIÃO:
       A religião no Egito era POLITEÍSTA, isto é, os egípcios acreditavam em vários deuses, e o próprio faraó era visto como um deus. Dentre eles destacam-se


deuses do Egito Antigo


OSÍRIS:
    Osíris era adorado como o deus da vida após a morte, visto que os egípcios acreditavam que a vida continuava em outro plano.


ÍSIS
 Isis era a deusa mãe de Hórus e esposa e irmã de Osíris. Quando seu marido foi assassinado por seu irmão Seth, ela recolheu as partes do corpo de Osíris e as juntou com bandagens, dando início à antiga prática egípcia de mumificar os mortos.



SETH
    O deus do caos é o responsável pelas guerras e pela escuridão. Matou o irmão, Osíris, mas perdeu a supremacia do Egito para o sobrinho Hórus.


AMON RÁ
    Principal deus egípcio, Rá é o responsável pela criação do mundo e representa o Sol. Ele é descrito de diversas formas, desde com a face de uma ave de rapina até como um escaravelho. Os egípcios acreditavam que seu rei (o faraó) era a encarnação de Rá.


 HÓRUS
    Filho de Osíris e Ísis, tem cabeça de falcão e é o protetor dos faraós e das famílias. Quando perdeu o pai, lutou contra Seth pelo trono de principal deus do Egito. Após intervenção de Osíris, direto do “Além”, os demais deuses aclamaram Hórus como líder supremo.


ANÚBIS
   O deus com cabeça de chacal nasceu da união de Osíris e Nephthys. Tem papel importante na passagem para o mundo dos mortos.


 
ARQUITETURA: 
    Os egípcios possuíam especial preocupação com a vida após a morte, por isso foram responsáveis pela construção de imponentes templos religiosos e as pirâmides. Mesmo os projetos simples têm uma finalidade específica, seja guardar algum alimento, abrigar residentes temporários, ou qualquer outro objetivo.


Pirâmides de Gizé

     No total, são conhecidas cerca de 100 pirâmides. A primeira foi construída em Saqqara por volta de 2750 a.C. A mais famosa, cerca de 150 anos mais nova, conhecida por pirâmide de Quéops. Ela é o único monumento remanescente das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e foi erguida no reinado do faraó Khufu (Quéops).
     Localizada na região de Gizé (norte do Egito), perto de outras duas pirâmides: Quéfren e Miquerinos. Acredita-se que levou 20 anos para ficar pronta com seus 140 metros de altura e 2,3 milhões de blocos de pedra com duas toneladas cada.

Réplica de uma Esfinge

 HIERÓGLIFOS:

      O método de escrita utilizado pelos escribas egípcios eram os hieróglifos, estes eram compostos de  símbolos, e desenhos  que representavam ideias, conceitos e objetos, que juntos formavam textos.Os egípcios escreviam, usando os hieróglifos, no papiro (espécie de papel feito de uma planta de mesmo nome) e também nas paredes de pirâmides, palácios e templos.
     A tradução dos hieróglifos tornou-se possível graças à Jean-François Champollion, egiptólogo e linguista  francês que decifrou os hieróglifos  entre os anos de 1822 e 1824, usando a Pedra de Roseta como fonte.
        Descoberta por soldados do exército de Napoleão Bonaparte, que invadiu o Egito em 1799. A pedra apresentava três tipos de escrita: hieroglífica, demótica (uma forma cursiva usada pelos egípcios antigos) e grega. Como Champollion sabia grego, conseguiu decifrar o que significavam os hieróglifos escritos ali.


Escrita hieroglífica na parede


Pedra de Roseta- Localizada atualmente no Museu Britânico

CLEÓPATRA:
      Rainha do Egito de 51-30 aC, era filha de Ptolomeu XII Auletes. Falava seis idiomas, era uma política formidável e soube usar sua sagacidade  para garantir uma posição favorável ao Egito dentro da crescente influência de Roma.      
     Subiu ao trono aos 18 anos e enfrentou uma guerra contra o irmão.Conforme o estipulado por seu pai reinou junto ao irmão. Por causa dos conflitos que surgem entre a jovem rainha e os partidários do irmão, Cleópatra pede ajuda a Roma para tentar transformar a invasão romana numa aliança favorável ao Egito.
    Assim torna-se amante de Júlio César e, posteriormente, mãe do seu filho. César arrisca sua posição, mas defende os direitos de Cleópatra ao trono. Sufoca a rebelião em Alexandria e faz dela a única rainha do Egito.
     Posteriormente, envolve-se com Marco Antônio, que com a derrota para as tropas de Otávio Augusto, comete suicídio; Cleópatra temendo os rumos que esta derrota acarretaria também se suicida.



         É importante ressaltar que Cleópatra na maioria das vezes é retratada com uma mulher de pele branca, o que se torna ilógico pois o Egito localiza-se no continente africano.

 CURIOSIDADES:

         Atualmente o olho de Hórus  é utilizado como símbolo contra a inveja e o mau-olhado, além de proteção,  sua imagem é muito utilizada para fazer tatuagens, em diversas partes do corpo, e na forma de pingentes.
      Olho de Hórus, também conhecido como udyat, é um símbolo que significa poder e proteção. Era um dos amuletos mais importantes no Egito Antigo, e usado como representação de força, vigor, segurança e saúde.
   

Olho de Hórus, popularmente conhecido como "olho egípcio"

MUMIFICAÇÃO:
        Os egípcios acreditavam na vida  após a morte, de modo que era necessário preservar o corpo para que o espírito pudesse usufruir no "Além", para preservar o corpo inventaram a mumificação. Dando início a descoberta de várias substâncias químicas, e aos estudos da anatomia.
        Para isso, todas as vísceras eram retiradas, e também  o coração, o fígado, o intestino, os rins, o estômago, a bexiga, o baço, cérebro (aplicavam uma espécie de ácido (via nasal) que o derretia, facilitando sua extração).O coração era colocado em um recipiente à parte.Segundo a religião egípcia, após a morte, o espírito era guiado pelo deus Anúbis até o Tribunal de Osíris, que o julgaria na presença de outros 42 deuses. Seu coração era pesado em uma balança, que tinha como contrapeso uma pena. Se o coração fosse mais leve que a pena, o espírito receberia a permissão para voltar e retomar seu corpo. Caso contrário, seria devorado por uma deusa com cabeça de jacaré. Os egípcios acreditavam em deuses híbridos: metade homem, metade animal (antropozoomorfia).
        Em seguida o corpo era desidratado através da imersão em água e sal, feito isso, o corpo era preenchido com serragem, ervas aromáticas (para evitar sua deterioração) e alguns textos sagrados. Finalizado este processo, o corpo era enfaixado, Ataduras de linho branco eram passadas ao redor do corpo, seguidas de uma cola especial. Após esse processo, o corpo era colocado em um sarcófago (espécie de caixão) e abrigado dentro de pirâmides (faraó).
         Nas pirâmides também era depositados itens valiosos como joias, ouro, e até mesmo servos e alimentos, o egípcios acreditavam que esse itens seriam utilizados pelo cadáver na passagem para o mundo dos mortos e na sua vida após a morte.

     


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Revolução Russa - 1917

      A Revolução Russa de 1917 representa um marco para o socialismo iniciado a partir da ascensão do Partido Bolchevique, resultando na criação da União da Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que durou até 1991.
      No início do século XX a Rússia era um país com economia essencialmente agrícola, cerca de 80% da sua economia estava concentrada no campo. Subjugados pelo Czar  Nicolau II (Imperador), os trabalhadores rurais pagavam altos impostos e viviam em situação de pobreza. O governo czarista era um governo absolutista, ou seja, Nicolau II comandava com poderes absolutos, não cedendo espaço para a participação popular (democracia), comandando inclusive a Igreja; motivo este de descontentamento geral da população.
Nicolau II (Czar Russo)

      Em 1890, o governo inicia um processo de modernização das indústrias, porém, usando capital estrangeiro

ANTECEDENTES:
        No final do século XIX os ideais socialistas chegam à Rússia. Em 1898 é fundado o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR).
       Em 1903 o Partido Operário Social- Democrata Russo se dividiu em dois grupos: Bolcheviques e Mencheviques.
- Bolcheviques: queriam derrubar o czarismo pela força, eram liderados por Lênin.
- Mencheviques: propunham a implantação do socialismo através de reformas moderadas.
     Em 1905 a Rússia se envolveu em uma guerra contra o Japão, este conflito desorganizou a economia piorando a situação dos operários e camponeses. A humilhação da derrota acirrou os ânimos contra o czar. No ano seguinte, os habitantes saíram em uma passeata a fim de entregar suas reivindicações ao Imperador, exigindo melhorias nas condições de vida e a instalação de um parlamento. O czar respondeu com um massacre promovido por suas tropas, episódio que ficaria conhecido como Domingo Sangrento, aumentando ainda mais a revolta do povo.
Domingo Sangrento

       A fim de sufocar o desconforto causado com o massacre do Domingo Sangrento, Nicolau II  promulgou uma Constituição e permitiu a convocação de eleições para a Duma (Parlamento),  neste momento surgem os Sovietes (responsáveis pela representação popular na Duma). A Rússia tornava-se assim uma monarquia constitucional, embora o czar concentrasse grande poder, em contraste com as limitações do Parlamento. Na realidade, o governo ganhou tempo e organizou as reações contra as agitações sociais.
Duma- Parlamento Russo
       Com todo esse panorama que não favorecia a população, Nicolau II decide colocar a Rússia na Primeira Guerra Mundial, como membro da Tríplice Entente, juntamente com Inglaterra e  França, contra a Alemanha e a Áustria-Hungria; as sucessivas derrotas, deixaram a Rússia militarmente aniquilada e economicamente desorganizada, o que foi a  gota d´água para que se iniciassem os protestos contra o poder do Czar.     
     Em 1917 ocorre a chamada REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO, que derrubou o Czar Nicolau II e buscava instaurar uma república liberal, formou-se um Governo Provisório, que passou para uma fase socialista, sob a chefia de Kerensky (Menchevique)..

Kerensky
     Sofrendo pressões dos sovietes, o governo concedeu anistia aos prisioneiros e exilados políticos. De volta à Rússia, os bolcheviques, liderados por Lênin e Trotsky, organizaram um congresso onde defendiam:“Paz, terra e pão” e “Todo o poder aos sovietes”. 
      Ainda no mesmo ano ocorre a  REVOLUÇÃO DE OUTUBRO,  caracterizada pela queda do governo provisório e instauração do regime socialista soviético, pelo partido bolchevique, liderado por Vladimir Lênin.
Vladimir Ilyich Ulyanov- Mais conhecido como Lênin

     Para evitar qualquer tentativa de restauração monárquica, o czar Nicolau II e sua família foram mortos em julho de 1918.

Principais medidas da Revolução de Outubro:
  • Confisco das terras do clero e da nobreza
  • Retirada da Rússia da Guerra
  • Reforma agrária
  • Estatização das empresas estrangeiras
  • Eleições para a escolha de juízes
  • Assinatura do Tratado de Brest-Litovsky com a Alemanha, onde cessava fogo e perdia territórios como a Polônia, Finlândia e Ucrânia. 
GUERRA CIVIL:
    Os quatro primeiros anos de governo bolchevique foram marcados por uma guerra civil que abalou profundamente a Rússia. O Exército Vermelho, criado por Leon Trotsky, derrotou o Exército Branco e garantiu a permanência dos Bolcheviques no poder. A revolução estava salva, mas a paralisação econômica era quase total.
     Em 1918 inicia-se um período chamado COMUNISMO DE GUERRA, caracterizado por medidas radicais como:
  • Separação Igreja X Estado
  • Nacionalização de bancos e transportes 
  • Retenção de toda produção agrícola pelo Estado
  • Fim da propriedade privada
    Em 1919 o Partido Operário Social Democrata Russo passa a se chamar PARTIDO COMUNISTA, em situação unipartidária ( partido único).
    Para restaurar a confiança no governo, foi criada em 1921 a NEP (Nova Política Econômica), que permitia a entrada de capital estrangeiro. A aplicação da NEP resultou no crescimento industrial e agrícola da Rússia.
       Com o fim da I Guerra, o governo Bolchevique teve que se preocupar com outras duas ameaças, são elas:
  •    Grupos antirrevolucionários composto por monarquistas, socialistas-revolucionários, mencheviques e anarquistas.
  • Ameaça externa das coligações formadas por países capitalistas que pretendiam combater o Estado soviético e restaurar o capitalismo na Rússia.
     Este conflito acaba apenas no final da década de 1920 com a vitória do Exército Vermelho  que combatia os contrarrevolucionários do exército branco (apoiado pelas coligações capitalistas).
   
NOVA POLÍTICA ECONÔMICA- NEP
    A NEP era baseada nas pequenas explorações agrícolas, industriais e comerciais à iniciativa privada, para fazer com que União Soviética saísse da crise em que se encontrava.
   As enormes dificuldades enfrentadas pela economia russa provocaram um recuo da parte do governo socialista. Lênin pensou, naquele momento crítico do país, ser necessário rever a política econômica adotada pelos revolucionários. Retomar a atividade comercial nas cidades e conceder maior autonomia aos camponeses para que produzissem foram as primeiras medidas adotadas pelo governo para superar a crise provocada pelo comunismo de guerra. A Rússia resgatou temporariamente algumas das características de um modelo econômico capitalista. A ideia de Lênin, ao propor essas medidas, era possibilitar a retomada do crescimento da economia russa e estabilizar o país para, em seguida, consolidar o sistema socialista. Nesse contexto, ficou célebre a frase de Lênin que sintetizou os objetivos da NEP: "É preciso voltar um passo atrás para depois avançar dois à frente." Em 1922 foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
 
Bandeira da União da Repúblicas Socialistas Soviéticas- URSS
Foice e martelo são símbolos que representam a classe trabalhadora - o trabalho agrícola e o trabalho industrial, respectivamente.


   Com a morte de Lênin em 1924,  Stalin( defensor do fortalecimento da revolução no próprio país) e Trotsky  (defensor  da extensão da revolução para outros países) disputam o poder. Stalin sai vitorioso e expulsa Trotsky e seus aliados. Em 1940 Trotsky é assassinado no México a mando de Stalin, que instaura uma ditadura na Rússia.
Stalin

Trotsky
DITADURA STALINISTA:
     Período de autoritarismo e repressão severa à oposição do governo stalinista. Por meio do planejamento econômico estatal (elaborado em planos quinquenais por técnicos do governo), o país passou por grandes transformações, tornando-se uma das maiores potências do século XX. Desenvolveu a indústria pesada, explorando reservas de carvão, ferro e petróleo, produzindo aço e ampliando a eletrificação. Mecanizou a agricultura e promoveu uma imensa coletivização do campo (extinção forçada da propriedade privada da terra).
     Por outro lado, no período de 1936 a 1938, ocorreram as chamadas depurações stalinistas; milhares de cidadãos foram presos, torturados, condenados ao trabalho em campos de concentração ou executados; estima-se que o terror político matou cerca de 500 mil pessoas, além de prender e torturar mais de 5 milhões de cidadãos.
Propaganda Stalinista- Stalin que significa "Homem de aço" em russo, como o defensor dos operários e camponeses.

FIM DA URSS:
       Ao fim da ditadura Stalinista o panorama russo era o seguinte:
  • Crise desencadeada pelo modelo econômico que impunha a população a viver sob a escassez de muitos bens de consumo;
  • Reformas mal conduzidas que levaram à deterioração da qualidade de vida da população;
  • Descontentamento popular com a oferta de produtos, principalmente alimentos;
  • A pobreza do povo;
  • As diferenças de qualidade de vida entre os cidadãos da URSS e os do bloco capitalista;
  • Concentração do poder;
  • Enfraquecimento do poder central;
  • O autoritarismo, com a censura à igreja e as mais diversas formas de manifestações populares;
  • Enfraquecimento da disciplina do Partido Comunista devido à divisão ideológica;
  • Guerra Fria e a pressão do Ocidente.
     Com a morte de Stalin, Nikita Khrushchov assume o poder, e cria uma política de coexistência pacífica com os Estados Unidos ( principal interessado na implantação do capitalismo na Rússia). A partir daí eventos como a Glasnot (liberação política) e a Perestroika ( reformulação econômica) deram margem para o ingresso do capitalismo no país. No dia 8 de dezembro de 1991 após acordo entre os líderes da Ucrânia, Bialowieza, Bielorrúsia e Rússia a URSS é dissolvida. Em seguida, foi formada a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), a Federação Russa.
Bandeira da Rússia

Líderes da União Soviética durante o regime socialista:
- Vladimir Lenin (8 de novembro de 1917 a 21 de janeiro de 1924) .
- Josef Stalin (3 de abril de 1922 a 5 de março de 1953).
- Nikita Khrushchov (7 de setembro de 1953 a 14 de outubro de 1964).
- Leonid Brejnev (14 de outubro de 1964 a 10 de novembro de 1982).
- Iúri Andopov (12 de novembro de 1982 a 9 de fevereiro de 1984).
- Konstantin Chernenko (13 de fevereiro de 1984 a 10 de março de 1985).
- Mikhail Gorbachev (11 de março de 1985 a 24 de agosto de 1991).





sexta-feira, 19 de maio de 2017

Primeira Guerra Mundial 1914-1918

  A Primeira Guerra Mundial acontece no contexto de Imperialismo, onde as potências europeias do século XX disputavam entre si, a hegemonia econômica. Conhecida como a "Grande Guerra" teve embates de proporções catastróficas.
       Embora não tivesse nenhum conflito declarado, as potências européias estavam desenvolvendo cada vez mais a sua indústria bélica (armas). Este período que antecede a Guerra  e que tem grande desenvolvimento industrial fica conhecido como PAZ ARMADA. A disputa por colônias, mercado consumidor e crescimento econômico acirravam os ânimos entre as grandes nações da Europa, de modo que bastava um acontecimento para que as mesmas fizessem uso de todo o armamento produzido.
Paz armada


ANTECEDENTES:
      Em meados do século XX a Europa vivia um período conhecido como Belle Époque, período este de grandes avanços científicos e tecnológicos,  é marcado pelo grande desenvolvimento dos países europeus e de sua economia.

Belle Époque

       Em 1870  a  Alemanha estava unificando seu território (anexação da região até então conhecida como Prússia) , período este em que estava em guerra contra a França, na Guerra Franco-Prussiana. Ao vencer a França, a Alemanha adquire o domínio da região da Alsácia- Lorena  (dominada pela França), e riquíssima em minério de ferro (matéria prima essencial no desenvolvimento da indústria), o que gerou na França um sentimento de revanchismo por ter perdido o domínio de tal região.
      Após a unificação alemã, Otto Von Bismarck,  líder da unificação alemã, estabelece alianças militares, comerciais e financeiras com a Itália e o Império Austro-Húngaro, formando assim a  Tríplice Aliança.
      Em contrapartida, a França  começa a firmar acordos com o Império Russo semelhantes aos estabelecidos na Tríplice Aliança, no intuito de se resguardar contra os avanços alemães. A Inglaterra por sua vez, temia perder seu status de maior país imperialista e maior potência europeia com o progresso alemão,e se alia à França e Rússia, formando assim a Tríplice Entente.

 
Grupos envolvidos no conflito

      A tensão entre as duas tríplices era crescente, sobretudo porque ambas almejavam dominar a região da Península balcânica. O Império Austro-Húngaro se aproveitou da fragilidade do Império Turco- Otomano (que dominava os Bálcãs ) para estabelecer, com o apoio alemão a dominação da região; utilizando um discurso nacionalista que ficou conhecido como PANGERMANISMO. Além disso, a Alemanha tinha interesse na pois pretendia construir uma ferrovia que ligasse Berlim à Bagdá (atual Iraque) passando pela península balcânica.
       Já o Império Russo usou da ideologia conhecida como PAN-ESLAVISMO para apoiar a criação do estado da Grande Sérvia na região dos Bálcãs para garantir sua influência política e econômica na região.

ESTOPIM DA GUERRA:
      O estopim para iniciar a Primeira Guerra veio em 28 de junho de 1914, com o assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando e sua esposa, em Sarajevo, capital da Bósnia. Sua visita tinha por objetivo discutir sobre a criação de uma monarquia tríplice nos Bálcãs governada por húngaros, austríacos e eslavos.
    O assassino era um jovem que pertencia a um grupo Sérvio (Mão Negra) contrário à intervenção da Áustria-Hungria na região dos Bálcãs. A culpa do atentado acaba caindo sobre o governo sérvio. O império Austro-húngaro declarou guerra à Sérvia em 28 de julho de 1914
Francisco Ferdinando e sua esposa Sofia antes do atentado em que foram assassinados


     Em pouco tempo praticamente toda a Europa estava envolvida no conflito. De um lado estavam os países da Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro) e, do outro, a Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia). Apesar de ser um conflito essencialmente europeu, a guerra envolveu os Estados Unidos e outros países,  as colônias das potências européias também foram campos de batalha.

FASES DA GUERRA:

     A Primeira Guerra Mundial teve duas fases importantes, são elas: Guerra do Movimento, e Guerra das Trincheiras.
GUERRA DO MOVIMENTO: Estratégia utilizada pela Alemanha para liquidar rapidamente a França, caracterizada pela movimentação das tropas em território inimigo. Os franceses, porém, com a ajuda inglesa conseguiram contra-atacar e deter o avanço alemão na  Batalha do Marne. Como nenhum dos lados conseguiu vitórias decisivas nessa batalha, a guerra estagnou.

GUERRA DAS TRINCHEIRAS:  É caracterizada pela instalação das tropas em grandes valas abertas no solo, onde se enfrentavam fazendo uso de artilharia pesada. Nesta fase, os exércitos adversários buscavam firmar suas posições através do desgaste das tropas rivais, ao todo foram mais de 640 km de trincheiras .
         Esta fase do conflito contou com diversas mortes pois as condições de higiene dentro das trincheiras era deplorável, soldados tinham que conviver com ratos, cadáveres,lama, chuva,  falta de mantimentos e doenças de todos os tipos; este foi um período de grande desgaste das tropas.

Trincheira


    De início, a Itália se  recusou a participar do conflito por ser neutra. Contudo, em função das promessas territoriais que recebeu (principalmente da Inglaterra), a Itália entrou no conflito ao lado da Tríplice Entente. A justificativa da Itália era de que a Tríplice Aliança era um acordo de defesa enquanto que na ocasião foram os impérios germânicos os ofensores. Ou seja, a Itália troca de lado e fica contra a Alemanha.
   A Primeira Guerra permaneceu um conflito essencialmente europeu até 1917, neste ano países como Estados Unidos e Brasil declaram apoio à Entente e impedir o avanço alemão através do envio de tropas e medicamentos.
    Neste mesmo ano a eclode na Rússia a Revolução Russa o que a força a sair da guerra. Com isso, a Alemanha pôde então concentrar suas forças no combate às tropas francesas e inglesas, mas os países da Entente conseguiram reagir  e venceram as tropas alemãs na  Segunda Batalha do Marne em 1918, o passo seguinte seria invadir a Alemanha.


   No entanto, uma rebelião popular assolou a Alemanha, forçando o então imperador  Guilherme II a renunciar. Em novembro de 1918 , o novo governo proclama a República e assina a rendição, que finalmente põe fim à guerra.

ARMAMENTOS :
       A Primeira Guerra acontece no contexto da Segunda Revolução Industrial, com isso, surgem novos armamentos com maior poder de destruição. Dentre eles estão:
  •  O Avião que até então era usado apenas para localização dos inimigos e reconhecimento de territórios, sofre adaptações e passa a ser equipado com metralhadoras e bombas.
 
Vista aérea de território inimigo

  • O submarino ( invenção alemã) é criado com o intuito de abater os navios inimigos que levavam mantimentos à população civil
  • A metralhadora é inventada, e embora fosse pesada para ser carregada nos braços, demonstra ser uma arma muito eficaz nos combates. 
 
  • Os gases tóxicos são utilizados e mostram o caráter assombroso da guerra. O gás mostarda em especial foi amplamente utilizado, recebe este nome pois, ao inalar já era possível sentir ardência, destruía as vias respiratórias, causava asfixia e cegueira temporária, em contato com a pele causava o surgimento de bolhas e queimaduras, podendo até mesmo chegar à corrosão dos ossos e consequentemente à morte. Atualmente a utilização desse gás e do Gás de Cloro são proibidos.
 
Soldados alemães aproveitando a direção do vento para soltar gás mostarda




 
Soldados com cegueira temporária causada pelo gás mostarda

  •  O fuzil passa a ser utilizado  como arma padrão pelo exército norte- americano pois era uma arma de maior alcance e precisão
  •  O Tanque de guerra foi decisivo na vitória da Entente na Guerra, pois era um veículo blindado, dotado de armamentos que desequilibrou a guerras das trincheiras.  
     

 DESFECHO:

     Ao final da Primeira Guerra, pode-se constatar que o uso e desenvolvimento de novas armas contribui de forma gritante para a capacidade de matar e destruir, o conflito deixou aproximadamente 10 milhões de mortos e milhares de mutilados, órfãos e refugiados.
    Próximo do fim da Guerra, o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson propôs um acordo de paz  que ficou conhecido como os "14 pontos de Wilson", onde defendia que não houvesse um vencedor para a guerra, e o direito de cada povo escolher seu destino e etc. Porém, este acordo não foi aprovado, o que vigorou foi a paz imposta pelos vencedores, aplicada pelo TRATADO DE VERSALHES, no qual a Alemanha :
  • Não poderia ter um exército maior que 100 mil soldados.
  • Não poderia desenvolver e fabricar armamentos
  • Deveria devolver a região da Alsácia-Lorena à França
  • Perde o domínio de diversas minas de carvão e ferro.
  • É condenada a pagar indenizações milionárias aos países da Entente
    Com isso, o Eurocentrismo ( Os países europeus como os mais poderosos) tem considerável queda e o Estados Unidos surge então como maior potência econômica.
      Em 28 de abril de 1919 é criada a Liga das Nações, que seria responsável por arbitrar em conflitos internacionais e garantir a paz mundial. Atualmente esta função é da ONU (Organização das Nações Unidas).
     As imposições do Tratado de Versalhes foram responsáveis por alimentar um desejo de vingança e ódio da Alemanha em relação aos vencedores, esse tratado foi visto por muitos alemães como uma afronta, e foi responsável pela ascensão de discursos que seriam fortemente adotados pela Direita, dentre eles o Nazismo e o Fascismo e seria a principal motivação para a Segunda Guerra Mundial.
Tratado de Versalhes
AVANÇOS:
     Embora o cenário deixado pela Guerra seja de destruição, o desenvolvimento obtido nesse período trouxe grandes avanços para a sociedade de modo geral, a medicina por exemplo se beneficiou do desenvolvimento da cirurgia plástica, a psicologia pode aplicar as teorias do psicanalista Sigmund Freud.
    Como os homens foram para a guerra, as mulheres começam a ganhar espaço no mercado de trabalho e nas indústrias, o que pode ser encarado como um importante avanço nas causas feministas.
Mulheres trabalhando em fábrica de bombas
   As imposições do Tratado de Versalhes também acaba por modificar a geografia mundial, e ocasionam o surgimento de novos países.



    
 
Modificações do pós guerra