domingo, 9 de outubro de 2016

Colonização da América Espanhola



        As bases econômicas  do Absolutismo monárquico europeu, motivaram  potências como Espanha, Portugal e Inglaterra nos séculos XV,XVI e XVII, a colonizar territórios nas regiões da América e da África;  a expansão marítima teve papel fundamental no crescimento e desenvolvimento das metrópoles europeias do período, pois além de ouro e prata, a América fornecia mão de obra e especiarias, produtos altamente requisitados pelo Velho Mudo (Continente europeu).
        No Novo Mundo (América) o pontapé inicial foi dado por Cristóvão Colombo  que chega ao continente em 1492, alegando buscar uma rota alternativa para as Índias, e funda a colônia de Hispaniola (atualmente República Dominicana e Haiti); pouco tempo depois, outras colônias são fundadas em toda a extensão do território, como no Peru, Los Angeles, Buenos Aires,e Caribe. A partir daí as outras potências também empreendem expedições colonizadoras, é o caso dos Portugueses que chegam ao Brasil em 22 de abril de 1500.

Cristóvão Colombo - Navegador chega à América em 1492


       De início, as doenças trazidas pelos europeus foram responsáveis pela dizimação de boa parte dos povos nativos, outro fator importante foi o choque cultural de ambas as partes, os europeus, iniciam a posse do território sob o prisma religioso (geralmente católico) de que aqueles povos eram atrasados e pouco evoluídos, e portanto, necessitavam da "intervenção europeia" para progredir e ter a salvação de suas almas. (Isso é encarado como a imposição da religião católica aos nativos, uma vez que a cultura e a religião local foram ignoradas e sobrepostas pela catequização dos povos locais e conversão ao catolicismo). A tríade Fome, Cruz e Espada demonstram bem a forma adotada pelos espanhóis para dominação do território: Escravidão, Catequização e uso da força. 

A colonização ocorreu de forma sangrenta- Charge de Carlos Latuff


         É importante ressaltar que a dominação do continente não se deu de forma pacífica e amistosa, foi empreendido um embate sangrento contra os nativos que foram dizimados  e escravizados pelos espanhóis, estes impunham sua força através do uso de armas de fogo, coisa que os locais não conheciam, o temor diante da capacidade militar espanhola foi de vital importância para que os espanhóis conseguissem dominar as populações locais.  As regiões exploradas foram divididas em quatro grandes vice-reinados: Rio da Prata, Peru, Nova Granada e Nova Espanha, além dessas grandes regiões, havia outras quatro capitanias: Chile, Cuba, Guatemala e Venezuela; cada uma delas era comandada por um vice-rei e um capitão geral nomeados pela Coroa Espanhola.
     Os principais nomes da conquista espanhola na América são: Cristóvão Colombo, Hernán Cortés, e Francisco Pizarro, estes dois últimos responsáveis pelo embate com povos locais como Incas e Astecas, sobre os quais se apropriaram, dizimaram e escravizaram. 


Hernan Cortés- Conquistador do México



        O termo "Índio" é atribuído aos povos nativos da América pois Colombo ao chegar ao continente acreditava ter chegado à Ásia. Em 1517 os espanhóis tentam sem sucesso dominar a Península de Yucatán (México), em 1519 Hernán Cortés empreende uma ação militar na região adentrando a cidade asteca de Tenochtitlán. Os conquistadores espanhóis ficaram maravilhados com a beleza e organização da cidade quando a viram pela primeira vez, mas isso não impediu que Cortés conquistasse e destruísse a cidade em 1521, quando depois de uma aliança com os povos subjugados pelos astecas auxiliaram os espanhóis a conquistarem a capital Tenochtitlán. Cortés pôs fim ao reinado de Montezuma II, destruindo o Império Asteca.
         Foi também a partir de 1521 que a cidade foi reconstruída, sendo utilizadas nessa reconstrução as antigas pedras erguidas pelos astecas. Os canais deram lugar a largas avenidas e no sítio onde ficava o templo do deus sol e da guerra Huitzilopochtli foi erguida a Catedral do México, materializando, dessa forma, a violenta imposição social e cultural europeia sobre o Império Asteca.


Catedral Metropolitana da Cidade do México- Símbolo da dominação de Cortés sobre a cidade asteca de Tenochtítlan e seu imperador Montezuma.



       Na década de 1520 Pizarro parte para a América do Sul  em busca de ouro, e obtém sucesso na dominação da região onde fica atualmente o Peru, isso porque a mesma, que era dominada pelos Incas, passava por uma crise dinástica, já que  Huayna Capak (chefe inca local) e seu filho, sucessor ao trono faleceram após contrair varíola, deixando assim o trono vago para a disputa entre seus dois outros filhos Huáscar e Atahualpa.Os incas eram a elite dominante do Peru desde o início do século XIII e, graças a uma bem-sucedida política expansionista, chegaram a controlar terras numa extensão de 4.500 km, desde a Colômbia até o Chile e a Argentina atuais, submetendo em torno de 15 milhões de pessoas, portanto, dominar o império Inca, era dominar boa parte do território americano.


Francisco Pizarro- Conquistador do Peru









Pizarro tomando o império Inca




Administração Colonial
           Quando o espanhóis tomaram Cuzco ( capital do império Inca), surgiu a necessidade de regular e administrar a exploração das colônias, para isso criou-se a CASA DE CONTRATAÇÃO, tinha por finalidade impedir o contrabando e fiscalizar o pagamento de impostos colonial.
       Motivados pelo metalismo ( acúmulo de metais preciosos) os espanhóis extraíram a riqueza das regiões por onde passaram, é o caso da Argentina ( que significa Terra da Prata), e Potosí (Bolívia), no caso do Brasil, Portugal explorou até a escassez regiões como Minas Gerais. A partir daí a Coroa implantou um esquema de controle sobre os produtos retirados das colônias com destino à Espanha, os únicos portos comerciais encontravam-se em Veracruz (México), Porto Belo (Panamá) e Cartagena (Colômbia). Além disso, fez uso do pacto colonial ( as colônias só poderiam comercializar com suas respectivas metrópoles.
          À  Espanha, cabia intermediar as relações comerciais da colônia, e manufaturar as matérias-primas adquiridas na colônia. As colônias por sua vez, eram responsáveis por fornecer e abastecer o comércio espanhol com matérias-primas, e comprar os produtos comercializados pela metrópole, na maioria das vezes a preços altíssimos.

Organização Social
        Na sociedade colonial hispano-americana, a etnia determinava a posição social e a possibilidade de acesso a determinados postos e funções, isso significa que a mobilidade social era praticamente inexistente. Era composta da seguinte forma:

  • CHAPETONES: Espanhóis de nascença, eram os únicos que podiam participar do comércio externo, tinham terras e minas, e ocupavam os principais cargos da administração colonial.
  • CRIOLLOS: Descendentes de europeus nascidos na América, podiam possuir terras e minas, mas não podiam participar do comércio internacional.
  • MESTIÇOS: Filhos de espanhóis com nativos, eram livres, mas em geral pobres, exerciam funções no meio rural ( capataz e etc), não tinham acesso aos postos administrativos, nas cidades, atuavam como artesãos ou comerciantes locais.
  • ÍNDIOS: Principal mão de obra agrícola e mineira, também eram empregados em serviço domésticos e na construção de obras públicas.  
  • NEGROS: Representavam a mão de obra utilizada principalmente nas Antilhas, e tinham funções semelhantes às indígenas.
        De início a hierarquização social tinha por critério a pureza de sangue, a própria Coroa Espanhola incentivava os funcionários reais a se casarem antes de vir para a América, entretanto, os contínuos relacionamentos entre espanhóis e nativos que deu origem aos mestiços, dificultou a classificação por critério étnico. 



Sociedade colonial na América Espanhola


Trabalho Colonial 
    A atividade econômica mais rentável na colônia foi a mineração, com o esgotamento das jazidas de ouro, os colonizadores iniciam a exploração da prata. A mineração foi responsável pela instalação de núcleos urbanos em suas proximidades e a abertura de novas estradas .
     Na agricultura, de início era função das comunidades indígenas abastecer as colônias com alimentos; porém, conforme a população colonial foi crescendo a produção de alimentos das comunidades indígenas se tornou insuficiente, além disso, devido aos trabalhos atribuídos aos indígenas (principalmente na mineração) a mortalidade indígena fez com que a população nativa diminuísse ( dificuldade de adaptação ao ritmo de trabalho nas minas de ouro e prata, além de "jornadas extensas" de trabalho, acabavam por matar os indígenas).
     Os principais produtos agrícolas eram: Cacau, milho, algodão, tabaco, vários tipos de batata e posteriormente a cana de açúcar ( cultivada com sucesso nas ilhas do Caribe).
      A pecuária ocorreu em diversas regiões e com diversas funções, nas partes mais altas da Bolívia, Chile e Peru, as lãs extraídas de animais locais como a lhama e alpaca eram utilizadas na confecção de tecidos. A criação de  cavalos e gado era destinada a alimentação, tração e transporte; o couro bovino também era utilizado na fabricação de roupas e acessórios consumidos internamente e/ou exportados.
           
 ENCOMIENDA:
        Era a autorização que o colono recebia para explorar uma ou mais comunidades indígenas; esses ficavam responsáveis pela catequização, proteção e pagamento de tributos à Coroa.
 


REPARTIMIENTO:
     Cada comunidade indígena deveria fornecer uma quantidade de trabalhadores para executar atividades para a coroa espanhola. Esses indígenas eram encaminhados a um juiz repartidor, que disponibilizava os trabalhadores para os interessados.

 MITA:
     Cada comunidade indígena deveria oferecer homens adultos para o trabalho nas minas ou nas obras públicas durante o período de tempo variável ( podendo chegar a meses) , depois de passado esse tempo, o grupo retornava às suas comunidades, que deveriam enviar um novo grupo de homens.

HACIENDA:
      Grande latifúndio monocultor ( grande terreno onde plantava-se apenas um único produto, destinado a exportação), também conhecido com PLANTATION ( América do Norte), utilizava mão de obra escrava. 

       Vale lembrar que cada região, embora colonizada pela mesma potência (Espanha) utilizou a forma de trabalho e tributação que se adequasse aos "produtos" oferecidos pela região, todos utilizaram mão de obra escrava, seja indígena ou negra, e visavam única e exclusivamente o enriquecimento da metrópole, valendo-se do uso da força e da dominação dos povos locais para tanto.

Curiosidade:  A Colômbia, tem este nome justamente em homenagem à Cristovão Colombo, "Colonizador da América".

 
Países da América que falam espanhol

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