quarta-feira, 18 de julho de 2018

Egito Antigo


         Toda vez que falamos em Egito Antigo nos vêm à cabeça as pirâmides e os grandes faraós. Entretanto, poucos fazem ligação com a história e influência da região em que essa civilização se desenvolveu, o continente africano. Localizado no nordeste do continente africano, é uma região desértica, porém circundada ao sul pelo vale do Rio Nilo, conhecida com Crescente Fértil, o que deu origem a  uma das civilizações mais poderosas e influentes da Antiguidade.
 
A região recebe o nome de Crescente Fértil pois tem o formato de uma lua crescente

SOCIEDADE E POLÍTICA:

   A sociedade egípcia é formada a partir de junção de vários "clãs" chamados monos, estes eram organizados e independentes entre si. Por volta de 3500 a.C, estes monos se juntaram e formaram o que era chamado de reino do  Baixo Egito na região norte, e  reino do Alto Egito na parte sul do território. Em 3200 a.C, Menés unificou os dois reinos tornando-se o primeiro faraó, e dando início ao período conhecido como Antigo Império que durou até 2300 a.C. Na quarta dinastia deste império foram construídos pelos faraós, Quéops, Quéfren ( Que também construiu a esfinge) e Miquerinos as monumentais pirâmides da planície de Gizé.
     No Médio Império (2050-1750 a.C.)  que teve início com o príncipe de Tebas, Mentuhotep I, os hicsos (povo de origem asiática) invadiram o Egito e introduziram  o bronze, o cavalo e os carros de guerra, posteriormente pondo fim no Médio Império.
O Novo Império (1580-1080 a.C.) é caracterizado pelo militarismo e pelas conquistas, principalmente no reinado de Tutmés III. Porém, após no reinado de Ramsés II iniciou-se uma longa decadência e o Egito sofre invasões de vários povos, entre eles os assírios, e posteriormente Persas, Macedônios e  Romanos.
      Dividida de forma hierárquica, havia pouca mobilidade na sociedade egípcia, isto é, as pessoas não costumavam mudar de classe social. Era composta da seguinte forma:

Estrutura social no Egito Antigo
          Nesta sociedade, o faraó era visto e considerado um deus, portanto a forma de governo era a Monarquia Teocrática, isto é, o faraó governava, mas havia a crença em vários outros deuses.

ECONOMIA:

        A base da economia egípcia era a agricultura, sendo possível na região graças às cheias do Rio Nilo, e tendo como produtos principais o trigo, cevada, linho, algodão e papiro. A construção de diques, reservatórios e canais de irrigação, era tarefa do Estado,além disso, desenvolvia-se a pesca, a caça e a criação de animais. As cheias do Nilo começavam em julho e iam até novembro. Neste período, o rio transbordava e depositava o lodo e o limo que possibilitavam o aproveitamento agrícola da região. O Rio Nilo é tão importante para a civilização egípcia que os historiadores dizem: “O Egito é uma dádiva do Nilo”
      Os egípcios não utilizavam o dinheiro, por isso, trocavam suas mercadorias. Essa atividade atingiu seu apogeu no Novo Império, quando se intensificaram os contatos comerciais com a ilha de Creta, Palestina, Fenícia e Síria. O Estado egípcio era proprietário dos meios de produção, incluindo terras e instrumentos de trabalho; os camponeses recebiam terras para o cultivo, mas pagavam tributos para usá-las, a forma de pagamento era na forma de produtos ou de trabalho.
Agricultura egípcia

Rio Nilo


 
 RELIGIÃO:
       A religião no Egito era POLITEÍSTA, isto é, os egípcios acreditavam em vários deuses, e o próprio faraó era visto como um deus. Dentre eles destacam-se


deuses do Egito Antigo


OSÍRIS:
    Osíris era adorado como o deus da vida após a morte, visto que os egípcios acreditavam que a vida continuava em outro plano.


ÍSIS
 Isis era a deusa mãe de Hórus e esposa e irmã de Osíris. Quando seu marido foi assassinado por seu irmão Seth, ela recolheu as partes do corpo de Osíris e as juntou com bandagens, dando início à antiga prática egípcia de mumificar os mortos.



SETH
    O deus do caos é o responsável pelas guerras e pela escuridão. Matou o irmão, Osíris, mas perdeu a supremacia do Egito para o sobrinho Hórus.


AMON RÁ
    Principal deus egípcio, Rá é o responsável pela criação do mundo e representa o Sol. Ele é descrito de diversas formas, desde com a face de uma ave de rapina até como um escaravelho. Os egípcios acreditavam que seu rei (o faraó) era a encarnação de Rá.


 HÓRUS
    Filho de Osíris e Ísis, tem cabeça de falcão e é o protetor dos faraós e das famílias. Quando perdeu o pai, lutou contra Seth pelo trono de principal deus do Egito. Após intervenção de Osíris, direto do “Além”, os demais deuses aclamaram Hórus como líder supremo.


ANÚBIS
   O deus com cabeça de chacal nasceu da união de Osíris e Nephthys. Tem papel importante na passagem para o mundo dos mortos.


 
ARQUITETURA: 
    Os egípcios possuíam especial preocupação com a vida após a morte, por isso foram responsáveis pela construção de imponentes templos religiosos e as pirâmides. Mesmo os projetos simples têm uma finalidade específica, seja guardar algum alimento, abrigar residentes temporários, ou qualquer outro objetivo.


Pirâmides de Gizé

     No total, são conhecidas cerca de 100 pirâmides. A primeira foi construída em Saqqara por volta de 2750 a.C. A mais famosa, cerca de 150 anos mais nova, conhecida por pirâmide de Quéops. Ela é o único monumento remanescente das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e foi erguida no reinado do faraó Khufu (Quéops).
     Localizada na região de Gizé (norte do Egito), perto de outras duas pirâmides: Quéfren e Miquerinos. Acredita-se que levou 20 anos para ficar pronta com seus 140 metros de altura e 2,3 milhões de blocos de pedra com duas toneladas cada.

Réplica de uma Esfinge

 HIERÓGLIFOS:

      O método de escrita utilizado pelos escribas egípcios eram os hieróglifos, estes eram compostos de  símbolos, e desenhos  que representavam ideias, conceitos e objetos, que juntos formavam textos.Os egípcios escreviam, usando os hieróglifos, no papiro (espécie de papel feito de uma planta de mesmo nome) e também nas paredes de pirâmides, palácios e templos.
     A tradução dos hieróglifos tornou-se possível graças à Jean-François Champollion, egiptólogo e linguista  francês que decifrou os hieróglifos  entre os anos de 1822 e 1824, usando a Pedra de Roseta como fonte.
        Descoberta por soldados do exército de Napoleão Bonaparte, que invadiu o Egito em 1799. A pedra apresentava três tipos de escrita: hieroglífica, demótica (uma forma cursiva usada pelos egípcios antigos) e grega. Como Champollion sabia grego, conseguiu decifrar o que significavam os hieróglifos escritos ali.


Escrita hieroglífica na parede


Pedra de Roseta- Localizada atualmente no Museu Britânico

CLEÓPATRA:
      Rainha do Egito de 51-30 aC, era filha de Ptolomeu XII Auletes. Falava seis idiomas, era uma política formidável e soube usar sua sagacidade  para garantir uma posição favorável ao Egito dentro da crescente influência de Roma.      
     Subiu ao trono aos 18 anos e enfrentou uma guerra contra o irmão.Conforme o estipulado por seu pai reinou junto ao irmão. Por causa dos conflitos que surgem entre a jovem rainha e os partidários do irmão, Cleópatra pede ajuda a Roma para tentar transformar a invasão romana numa aliança favorável ao Egito.
    Assim torna-se amante de Júlio César e, posteriormente, mãe do seu filho. César arrisca sua posição, mas defende os direitos de Cleópatra ao trono. Sufoca a rebelião em Alexandria e faz dela a única rainha do Egito.
     Posteriormente, envolve-se com Marco Antônio, que com a derrota para as tropas de Otávio Augusto, comete suicídio; Cleópatra temendo os rumos que esta derrota acarretaria também se suicida.



         É importante ressaltar que Cleópatra na maioria das vezes é retratada com uma mulher de pele branca, o que se torna ilógico pois o Egito localiza-se no continente africano.

 CURIOSIDADES:

         Atualmente o olho de Hórus  é utilizado como símbolo contra a inveja e o mau-olhado, além de proteção,  sua imagem é muito utilizada para fazer tatuagens, em diversas partes do corpo, e na forma de pingentes.
      Olho de Hórus, também conhecido como udyat, é um símbolo que significa poder e proteção. Era um dos amuletos mais importantes no Egito Antigo, e usado como representação de força, vigor, segurança e saúde.
   

Olho de Hórus, popularmente conhecido como "olho egípcio"

MUMIFICAÇÃO:
        Os egípcios acreditavam na vida  após a morte, de modo que era necessário preservar o corpo para que o espírito pudesse usufruir no "Além", para preservar o corpo inventaram a mumificação. Dando início a descoberta de várias substâncias químicas, e aos estudos da anatomia.
        Para isso, todas as vísceras eram retiradas, e também  o coração, o fígado, o intestino, os rins, o estômago, a bexiga, o baço, cérebro (aplicavam uma espécie de ácido (via nasal) que o derretia, facilitando sua extração).O coração era colocado em um recipiente à parte.Segundo a religião egípcia, após a morte, o espírito era guiado pelo deus Anúbis até o Tribunal de Osíris, que o julgaria na presença de outros 42 deuses. Seu coração era pesado em uma balança, que tinha como contrapeso uma pena. Se o coração fosse mais leve que a pena, o espírito receberia a permissão para voltar e retomar seu corpo. Caso contrário, seria devorado por uma deusa com cabeça de jacaré. Os egípcios acreditavam em deuses híbridos: metade homem, metade animal (antropozoomorfia).
        Em seguida o corpo era desidratado através da imersão em água e sal, feito isso, o corpo era preenchido com serragem, ervas aromáticas (para evitar sua deterioração) e alguns textos sagrados. Finalizado este processo, o corpo era enfaixado, Ataduras de linho branco eram passadas ao redor do corpo, seguidas de uma cola especial. Após esse processo, o corpo era colocado em um sarcófago (espécie de caixão) e abrigado dentro de pirâmides (faraó).
         Nas pirâmides também era depositados itens valiosos como joias, ouro, e até mesmo servos e alimentos, o egípcios acreditavam que esse itens seriam utilizados pelo cadáver na passagem para o mundo dos mortos e na sua vida após a morte.

     


Nenhum comentário:

Postar um comentário